Imunohistoquímica e Hibridização In Situ:
Construindo o Perfil Imunofenotípico
Alguns marcadores mudam o jogo em segundos. ALK positivo no citoplasma e núcleo de células grandes e pleomórficas?
Alarme vermelho de double/triple-hit, sobrevida mediana de meses se tratado como DLBCL comum. PD-L1 alto no microambiente do Hodgkin refratário ou no carcinoma nasofaríngeo?
Porta aberta para nivolumab ou pembrolizumab, o que era sentença pode virar cura.
O olhar experiente lê não só positivo ou negativo, mas o padrão e a intensidade: Golgi pontilhado do CD30, membrana nítida do CD20, nuclear difuso do MYC, citoplasmático granular da tiroglobulin. Uma marcação fraca pode ser a diferença entre Hodgkin e carcinoma pouco diferenciado. Ki-67 de 95% em Burkitt não é detalhe, é urgência absoluta.
Cuidado, porém, com as armadilhas. Biópsias ósseas descalcificadas com ácido forte devoram antígenos linfóides, CD20 some como mágica. Fixação antiga em B5 ou mercúrio apaga CD30 e CD15. Necrose e bordas de biópsia criam falsos positivos por captura inespecífica. Por isso o patologista nunca confia cegamente: correlaciona com H&E, repete marcador em bloco melhor e, se necessário, parte para biologia molecular.
A hibridização in situ (EBER para vírus Epstein-Barr, kappa/lambda para clonalidade plasmocitária) fecha o perfil com chave de ouro. No final, o que era um punhado de células anônimas ganha nome, sobrenome, RG e até carteira de motorista terapêutica. A imunohistoquímica não é coadjuvante, é protagonista. Quem a domina não apenas diagnostica doenças: desenha o mapa que leva o paciente do medo à cura.
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