Técnicas e Procedimentos de Controle de Qualidade no Dia a Dia

 Técnicas e Procedimentos de Controle de Qualidade no Dia a Dia


O controle de qualidade em laboratórios clínicos é um processo essencial que assegura a confiabilidade dos resultados analíticos e, consequentemente, a segurança do diagnóstico e do tratamento do paciente. No cotidiano laboratorial, o técnico desempenha um papel central na execução das técnicas e procedimentos de controle de qualidade, aplicando métodos analíticos padronizados que envolvem o uso de controles internos e externos, calibrações de equipamentos, monitoramento estatístico por meio de gráficos de Levey-Jennings e validação contínua dos resultados. Esses procedimentos, quando realizados de forma sistemática, permitem a identificação precoce de falhas analíticas e garantem a estabilidade operacional do laboratório.

O controle interno de qualidade (CQI) é uma das rotinas mais importantes para o técnico. Consiste na análise diária de amostras controle, com concentrações conhecidas de analitos, a fim de verificar a precisão e a exatidão dos métodos. O técnico prepara a amostra controle, insere-a no equipamento e compara os resultados obtidos com os valores de referência estabelecidos pelo fabricante ou pela validação interna do método. Esse processo deve ser realizado antes de liberar os resultados dos pacientes, assegurando que o sistema esteja funcionando dentro dos limites aceitáveis. Quando o valor do controle se desvia do intervalo esperado, o técnico deve suspender as análises clínicas, registrar o desvio e investigar a causa, podendo envolver problemas de calibração, deterioração de reagentes ou falhas instrumentais.

Paralelamente, o controle externo de qualidade (CQE), também conhecido como ensaio de proficiência, é realizado periodicamente e consiste na análise de amostras enviadas por instituições externas de avaliação, como o PELM (Programa de Ensaio de Proficiência de Laboratórios Médicos). O técnico processa essas amostras como se fossem de pacientes e envia os resultados para comparação com outros laboratórios. Esse monitoramento externo permite avaliar a reprodutibilidade interlaboratorial, garantindo que o desempenho local esteja em conformidade com padrões nacionais e internacionais.

Outro aspecto essencial é a calibração de equipamentos laboratoriais, que assegura a exatidão das medições. O técnico realiza calibrações de acordo com a periodicidade definida pelo fabricante e pelas normas da ISO 15189, utilizando padrões de referência certificados. Durante o processo, ajusta-se a resposta do equipamento para que o resultado medido corresponda ao valor verdadeiro conhecido. É responsabilidade do técnico verificar a estabilidade pós-calibração e registrar todas as informações em planilhas ou sistemas de controle informatizado, assegurando a rastreabilidade do procedimento.

O monitoramento gráfico por meio de Levey-Jennings é uma ferramenta estatística amplamente empregada na rotina técnica para avaliar o desempenho dos métodos analíticos ao longo do tempo. Nesses gráficos, os resultados dos controles internos são plotados em função do tempo, permitindo visualizar tendências, desvios e erros aleatórios ou sistemáticos. O técnico interpreta o gráfico utilizando as regras de Westgard, que indicam quando uma análise está fora de controle, por exemplo, quando um resultado excede ±2 desvios-padrão ou quando há tendência crescente de valores. Essa interpretação visual imediata facilita ações corretivas rápidas e reduz o risco de liberação de resultados incorretos.

A validação dos resultados laboratoriais é a etapa final do processo de qualidade e compreende a verificação de consistência entre os resultados obtidos, os controles realizados e os dados clínicos do paciente. O técnico, ao validar, analisa possíveis discrepâncias, repete amostras suspeitas e comunica não conformidades ao responsável técnico. Essa prática é reforçada pelo uso de sistemas informatizados integrados aos analisadores automatizados, que permitem rastrear cada amostra desde a entrada até a liberação, otimizando a segurança e a eficiência operacional.

As técnicas e procedimentos de controle de qualidade no dia a dia laboratorial representam a espinha dorsal da confiabilidade diagnóstica. O técnico, ao aplicar controles internos e externos, calibrar equipamentos, interpretar gráficos e validar resultados, atua como guardião da precisão e da exatidão analítica. Seu olhar técnico e criterioso assegura que cada resultado liberado represente fielmente a realidade biológica do paciente, reafirmando o compromisso ético e científico da profissão com a excelência na prática laboratorial.

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