Classificação e Nomenclatura das Lesões Celulares
Para compreender e comunicar as alterações patológicas com precisão, a Patologia desenvolveu um sistema robusto de classificação e nomenclatura das lesões. Este "atlas da injúria" organiza os danos celulares com base em critérios como cronologia, distribuição, natureza morfológica e etiologia, permitindo correlacionar achados microscópicos com disfunções clínicas.
Quanto à cronologia, as lesões podem ser: Agudas, de instalação rápida (minutos a dias), geralmente associadas a processos exsudativos como inflamação, e Crônicas, de desenvolvimento lento (semanas a anos), frequentemente caracterizadas por infiltrado inflamatório linfocítico, fibrose e tentativas de reparo.
Quanto à distribuição nos tecidos, classificam-se em: Focais (localizadas em uma área discreta, como um abscesso), Multifocais (várias lesões discretas distribuídas aleatoriamente, como em algumas infecções virais), Difusas (atingindo uniformemente todo um órgão ou grande parte dele, como na esteatose hepática alcoólica) e Sistêmicas (que afetam múltiplos órgãos, como no lúpus eritematoso).
A classificação mais rica e fundamental, porém, baseia-se na natureza morfológica da alteração principal. Divide-se em dois grandes grupos:
Além disso, as lesões podem ser nomeadas com base em sua etiologia (ex: lesão isquêmica, lesão tóxica, lesão viral) ou em sua aparência macroscópica (ex: lesão nodular, ulcerada, necrótica). Esta sistematização da nomenclatura não é mero pedantismo acadêmico; é a linguagem que permite ao patologista traduzir a imagem microscópica em um diagnóstico compreensível, orientando prognóstico e terapia. Nos capítulos seguintes, exploraremos em detalhes os principais tipos de degenerações e os processos de morte celular.
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