Detecção de Toxocara canis
em amostras sorológicas
A detecção de Toxocara canis em amostras sorológicas constitui um importante recurso diagnóstico para a identificação da toxocaríase humana, uma zoonose parasitária de distribuição mundial, associada principalmente ao contato com solo ou alimentos contaminados por ovos embrionados do parasito. Em humanos, a infecção ocorre de forma acidental, com migração larvária pelos tecidos, podendo resultar em quadros clínicos como larva migrans visceral, larva migrans ocular e formas subclínicas. Como o parasito não atinge a fase adulta no homem, a pesquisa direta em amostras biológicas não é viável, tornando os métodos sorológicos fundamentais para o diagnóstico.
Os testes sorológicos baseiam-se na detecção de anticorpos específicos, predominantemente da classe IgG, produzidos em resposta à infecção por T. canis. Entre as metodologias disponíveis, o ensaio imunoenzimático (ELISA) é o mais amplamente utilizado, devido à sua elevada sensibilidade, reprodutibilidade e aplicabilidade em rotina laboratorial. Esse teste utiliza, preferencialmente, antígenos excretórios-secretórios de larvas de Toxocara, os quais apresentam maior especificidade quando comparados a extratos antigênicos brutos, reduzindo reações cruzadas com outros helmintos.
A fase pré-analítica é essencial para garantir a qualidade do exame sorológico. A coleta do sangue deve seguir procedimentos padronizados, com obtenção de soro adequadamente separado, identificado e armazenado. O soro pode ser mantido refrigerado por curto período ou congelado para análises posteriores, evitando ciclos repetidos de congelamento e descongelamento, que podem comprometer a estabilidade dos anticorpos. Informações clínicas e epidemiológicas, como eosinofilia, contato com cães e hábitos de higiene, são fundamentais para a correta interpretação dos resultados.
Na fase analítica, o ELISA é realizado conforme protocolos rigorosamente padronizados, incluindo controles positivos e negativos para validação do ensaio. A leitura é feita por espectrofotometria, e os resultados são expressos de forma qualitativa ou semi-quantitativa. Em alguns casos, testes confirmatórios, como o Western blot, podem ser utilizados para aumentar a especificidade diagnóstica, especialmente em áreas endêmicas onde a ocorrência de reações cruzadas é mais frequente.
A fase pós-analítica envolve a interpretação criteriosa dos resultados sorológicos, uma vez que a presença de anticorpos indica exposição ao parasito, mas não necessariamente infecção ativa. Títulos elevados de anticorpos, associados a manifestações clínicas e laboratoriais compatíveis, fortalecem o diagnóstico. A sorologia também pode permanecer positiva por longos períodos após o tratamento, limitando seu uso no monitoramento terapêutico.
Portanto, a detecção de Toxocara canis em amostras sorológicas é uma ferramenta indispensável no diagnóstico da toxocaríase humana. Quando integrada à avaliação clínica, exames laboratoriais complementares e dados epidemiológicos, contribui significativamente para o diagnóstico precoce, manejo adequado dos pacientes e implementação de medidas preventivas em saúde pública.
Comentários
Postar um comentário