Interleucina-6 (IL-6)

 Interleucina-6
(IL-6)


A interleucina-6 (IL-6) é uma citocina pró-inflamatória de grande relevância na resposta imunológica e na regulação de diversos processos metabólicos, sendo atualmente reconhecida como um biomarcador central na fisiopatologia da anemia da doença crônica. Produzida por diferentes tipos celulares, como macrófagos, linfócitos, fibroblastos e células endoteliais, a IL-6 é liberada principalmente em resposta a infecções, inflamação persistente, neoplasias e doenças autoimunes.

Do ponto de vista fisiológico, a IL-6 exerce papel fundamental na ativação da resposta inflamatória sistêmica, estimulando a produção de proteínas de fase aguda pelo fígado, como a proteína C-reativa e a ferritina. No contexto do metabolismo do ferro, sua principal relevância está relacionada à indução da síntese hepática da hepcidina, hormônio regulador central da homeostase do ferro. A elevação da IL-6 leva ao aumento da hepcidina circulante, desencadeando mecanismos que reduzem a disponibilidade do ferro para a eritropoiese.

A hepcidina, estimulada pela IL-6, promove a degradação da ferroportina, proteína responsável pela exportação do ferro dos enterócitos, macrófagos e hepatócitos para a circulação. Como consequência, ocorre diminuição da absorção intestinal de ferro e sequestro do ferro nos estoques teciduais, reduzindo sua liberação para o plasma. Esse fenômeno resulta em deficiência funcional de ferro, mesmo na presença de reservas corporais normais ou aumentadas, característica marcante da anemia da doença crônica.

Clinicamente, a dosagem sérica da IL-6 contribui para a compreensão do componente inflamatório envolvido na anemia, auxiliando na diferenciação entre anemia ferropriva e anemia associada a processos inflamatórios crônicos. Na anemia da doença crônica, observa-se elevação persistente da IL-6, associada a níveis aumentados de hepcidina, ferritina normal ou elevada e ferro sérico reduzido. Esse perfil contrasta com a anemia ferropriva, na qual a IL-6 geralmente não se encontra elevada de forma sustentada.

Além de seu papel diagnóstico, a IL-6 apresenta valor prognóstico e terapêutico. Níveis elevados dessa citocina estão associados à maior gravidade da inflamação e à menor resposta à suplementação oral de ferro, uma vez que o bloqueio mediado pela hepcidina limita sua absorção e utilização. Dessa forma, a identificação de níveis elevados de IL-6 pode orientar estratégias terapêuticas mais adequadas, como o uso de ferro parenteral ou o tratamento direcionado da doença inflamatória de base.

A interleucina-6 consolida-se como um biomarcador inflamatório-chave na fisiopatologia da anemia da doença crônica, integrando inflamação, metabolismo do ferro e eritropoiese. Sua avaliação laboratorial amplia a compreensão dos mecanismos subjacentes à anemia e contribui para uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais precisa e individualizada.



Comentários