Padronização de hemoculturas para
detecção de patógenos anaeróbios
A padronização de hemoculturas para detecção de patógenos anaeróbios constitui um componente essencial da prática laboratorial e clínica, uma vez que esses microrganismos estão frequentemente associados a infecções graves, como sepse, abscessos profundos e infecções intra-abdominais. Os anaeróbios estritos apresentam características metabólicas específicas, sendo sensíveis ao oxigênio, o que torna a correta padronização dos procedimentos indispensável para garantir a viabilidade microbiana e a confiabilidade dos resultados.
O processo inicia-se na fase pré-analítica, considerada crítica para o sucesso da hemocultura. A coleta deve ser realizada antes do início da terapia antimicrobiana, sempre que possível, respeitando rigorosamente as técnicas assépticas para evitar contaminações. Recomenda-se a coleta de volumes adequados de sangue, geralmente entre 20 e 30 mL por conjunto em adultos, pois a carga bacteriana em infecções anaeróbias pode ser baixa. O sangue deve ser inoculado imediatamente em frascos específicos para anaeróbios, previamente preparados com meios de cultura redutores, capazes de manter um ambiente com baixo potencial de oxirredução.
Na fase analítica, a utilização de sistemas automatizados de hemocultura é amplamente recomendada, pois estes oferecem monitoramento contínuo do crescimento microbiano, maior sensibilidade e redução do tempo para detecção. Os frascos anaeróbios contêm agentes neutralizantes de oxigênio e antibióticos, favorecendo o crescimento de bactérias como Bacteroides spp., Clostridium spp. e Fusobacterium spp.. A incubação geralmente ocorre a 35–37 °C, por um período que pode se estender até cinco dias ou mais, considerando o crescimento mais lento de alguns anaeróbios.
Uma vez detectado o crescimento, a fase pós-analítica envolve a subcultura em meios sólidos apropriados, mantidos em atmosfera estritamente anaeróbia, como câmaras ou jarros anaeróbios. A identificação dos microrganismos pode ser realizada por métodos fenotípicos, testes bioquímicos, espectrometria de massas (MALDI-TOF) ou técnicas moleculares, que aumentam a precisão diagnóstica. O teste de sensibilidade aos antimicrobianos também deve seguir protocolos específicos para anaeróbios, considerando suas particularidades metabólicas.
A padronização das hemoculturas para anaeróbios impacta diretamente na qualidade assistencial, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos, além de orientar a escolha racional da terapia antimicrobiana. Isso contribui para a redução da mortalidade, do tempo de internação e do uso inadequado de antibióticos. Portanto, a integração entre equipes clínicas, de enfermagem, farmácia e laboratório, aliada à adoção de protocolos bem definidos, é fundamental para assegurar a efetividade desse exame no manejo das infecções anaeróbias.
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