A promoção do uso racional é, por natureza, um esforço colaborativo que exige a integração efetiva de diferentes profissionais e perspectivas. Não é uma tarefa que pode ser realizada isoladamente pelo laboratório ou pela clínica. Requer uma abordagem multiprofissional onde médicos solicitantes, patologistas clínicos/bioquímicos, farmacêuticos-bioquímicos, tecnologistas, gestores hospitalares e até mesmo os pacientes desempenhem papéis ativos. O patologista clínico ou médico do laboratório, figura central promovida pela SBP e pela SBPC/ML, atua como um consultor especializado. Ele pode intervir de forma proativa, sugerindo algoritmos diagnósticos mais eficientes, ajudando na interpretação de resultados complexos ou discrepantes, e participando de comitês de farmácia e terapêutica para discutir o monitoramento laboratorial de medicamentos.
Os tecnologistas e bioquímicos são os guardiões da fase analítica e têm um papel educativo crucial na fase pré-analítica, orientando a equipe de coleta sobre procedimentos adequados para evitar hemólise, lipemia ou contaminação que inviabilizariam um exame bem-indicado. Os gestores de unidades de saúde e operadoras de planos, por sua vez, devem criar um ambiente que favoreça a prática racional, seja através da implementação de sistemas de informação, da contratação de laboratórios acreditados que priorizam a qualidade, ou do estabelecimento de protocolos compartilhados. O paciente informado também é um aliado. A educação para a saúde pode ajudar a compreender a finalidade dos exames solicitados, reduzindo a pressão por "check-ups" completos sem indicação clínica. Reuniões clínicas conjuntas, com discussão de casos entre clínicos e laboratoriais, são um excelente fórum para alinhar conhecimento, esclarecer dúvidas e construir uma cultura institucional voltada para o cuidado de valor, onde o exame certo é feito no paciente certo, no momento certo.
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