"Blastos": Como diferenciar morfologicamente linfoblastos de mieloblastos no esfregaço sanguíneo

 "Blastos"
Como diferenciar morfologicamente linfoblastos
de mieloblastos no esfregaço sanguíneo


A identificação precisa dos blastos circulantes representa um dos desafios mais significativos na rotina hematológica, sendo crucial para a hipótese diagnóstica inicial entre leucemia mieloide aguda (LMA) e leucemia linfoide aguda (LLA). Embora a confirmação diagnóstica exija imunofenotipagem e citogenética, a morfologia no esfregaço de sangue periférico oferece os primeiros e fundamentais indícios .

Os mieloblastos, característicos da LMA, são células geralmente de tamanho médio a grande, com diâmetro entre 12 e 20 μm. Apresentam citoplasma moderadamente abundante, frequentemente com grânulos azurófilos primários, e relação núcleo-citoplasmática (N:C) variável, porém menos elevada que nos linfoblastos. A cromatina nuclear é finamente reticulada, com nucléolos visíveis, usualmente de 2 a 5 por célula. Um achado patognomônico da linhagem mieloide é a presença de bastonetes de Auer, resultantes da fusão anômala de grânulos primários, que confirmam o diagnóstico de LMA independentemente da contagem de blastos .

Os linfoblastos, predominantes na LLA, tendem a ser menores, com diâmetro entre 10 e 18 μm, citoplasma escasso, agranular e intensamente basófilo. A relação N:C é elevada, frequentemente superior à observada em mieloblastos. A cromatina nuclear é mais condensada, embora ainda imatura, e os nucléolos são menos evidentes, geralmente em menor número (1 a 2 por célula). Em alguns casos, podem apresentar irregularidades na membrana nuclear ou contornos celulares mais regulares .

A citoquímica, embora em desuso em laboratórios com citometria de fluxo disponível, oferece distinção clássica: os mieloblastos são positivos para mieloperoxidase (MPO) e sudan black B (SBB), enquanto os linfoblastos são consistentemente negativos para estas colorações . A coloração para esterases inespecíficas auxilia na identificação da linhagem monocítica.

Na prática diária, o analista deve atentar para características complementares: a presença de disgranulopoiese em neutrófilos maduros sugere LMA com diferenciação, enquanto a coexistência de blastos com células linfoides maduras pode direcionar para LLA. A observação cuidadosa destes detalhes morfológicos, aliada à correlação com os dados clínicos e hematimétricos, constitui a base para uma suspeição diagnóstica precisa e para a comunicação eficaz com a equipe médica assistente .





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