A raiz do uso racional está na formação e na educação continuada dos profissionais que solicitam os exames. A cultura do "check-up" amplo e não direcionado, ou da solicitação por hábito ou defensiva médica, muitas vezes se origina em lacunas no entendimento sobre o valor preditivo dos testes, a variação biológica e a interpretação crítica dos resultados. Iniciativas educacionais estruturadas são, portanto, uma das intervenções mais poderosas e duradouras para mudar práticas. Essas iniciativas devem começar ainda na graduação médica, integrando no currículo disciplinas de Medicina Laboratorial ou Diagnóstico por Exames Complementares, que ensinem não apenas a interpretar resultados, mas a formular perguntas clínicas e a escolher o melhor teste para respondê-la, conceito central nas diretrizes do CLSI e da AACC.
Após a graduação, a educação continuada promovida por sociedades como a SBPC/ML, a SBP e as sociedades de especialidades clínicas é fundamental. Cursos, seminários, publicações de artigos de revisão e casos clínicos comentados que enfatizem a correlação entre a suspeita e o achado laboratorial ajudam a consolidar o raciocínio clínico-laboratorial. Programas de audit and feedback, nos quais os padrões de solicitação de um médico ou serviço são revisados e comparados com diretrizes estabelecidas, seguidos de uma discussão educativa e não punitiva, mostraram-se particularmente eficazes para modificar comportamentos. A participação em programas de controle de qualidade externo, como os da Controllab, também tem um componente educacional, ao familiarizar o clínico com os conceitos de precisão e acurácia dos métodos. O objetivo final é cultivar um profissional que veja o exame laboratorial como uma extensão do raciocínio clínico, uma ferramenta precisa a ser usada com critério, e não como um atalho para substituir a anamnese e o exame físico bem-feitos.
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