O custo financeiro do uso não racional de exames laboratoriais representa um peso considerável para a sustentabilidade de qualquer sistema de saúde, seja público ou privado. Estudos internacionais estimam que uma parcela significativa dos exames realizados, variando de 20% a 30%, dependendo do contexto e do tipo de teste, não agrega valor ao cuidado do paciente. No Brasil, esse cenário se reflete em um desperdício de recursos que poderiam ser realocados para áreas carentes, para a incorporação de tecnologias verdadeiramente inovadoras ou para a melhoria da infraestrutura laboratorial. A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (ABRAMED) e a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) frequentemente destacam a necessidade de eficiência no setor, não apenas como uma questão de viabilidade empresarial, mas como um compromisso com a otimização dos gastos em saúde para o benefício da sociedade.
Além dos custos diretos com reagentes, equipamentos e descartáveis, há impactos operacionais profundos. A sobrecarga de trabalho em laboratórios devido a solicitações desnecessárias pode levar a atrasos na liberação de resultados de exames críticos, aumento no risco de erros processuais, desgaste da equipe técnica e redução da qualidade geral do serviço. A logística de coleta, transporte e processamento de um grande volume de amostras sem indicação clínica robusta consome recursos humanos e materiais que são finitos. Do ponto de vista da gestão, a ineficiência gera um ciclo vicioso: laboratórios sobrecarregados têm dificuldade em investir em controle de qualidade avançado, treinamento e inovação, o que, em tese, poderia até mesmo impactar a confiabilidade dos resultados. A racionalização, portanto, é um catalisador para a melhoria da qualidade. Ao direcionar os recursos para onde são realmente necessários, os laboratórios podem operar com maior eficiência, investir em programas de acreditação como os propostos pelo DICQ e em controle de qualidade rigoroso, como os programas de proficiência oferecidos por entidades como a Controllab, assegurando que cada exame realizado tenha a máxima confiabilidade possível.
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