Por dentro da Bioquímica Básica, de Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres 4º edição. Capítulo 12: Metabolismo de Carboidratos: Via das Pentoses Fosfato

 Por dentro da Bioquímica Básica,
de Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres}
4º edição.


Capítulo 12: Metabolismo de Carboidratos: Via das Pentoses Fosfato



O Capítulo 12. Metabolismo de Carboidratos: Via das Pentoses Fosfato apresenta uma via metabólica alternativa à glicólise, fundamental para o metabolismo celular por sua função biossintética e redutora. Diferentemente das vias clássicas de obtenção de energia, a via das pentoses fosfato não tem como principal objetivo a produção de ATP, mas sim a geração de NADPH e de açúcares de cinco carbonos, essenciais para diversos processos anabólicos e de defesa celular.

O capítulo inicia contextualizando a importância da via das pentoses fosfato (VPP), que ocorre no citosol e utiliza a glicose-6-fosfato como substrato inicial, intermediário também da glicólise. Os autores destacam que essa via é especialmente ativa em tecidos com intensa atividade biossintética, como fígado, glândulas mamárias, tecido adiposo e córtex adrenal, bem como em células que necessitam de proteção contra o estresse oxidativo, como os eritrócitos.

A VPP é descrita como composta por duas fases distintas: a fase oxidativa e a fase não oxidativa. A fase oxidativa é irreversível e tem como principal função a produção de NADPH. Nessa etapa, a glicose-6-fosfato é oxidada, resultando na formação de ribulose-5-fosfato, com liberação de dióxido de carbono. Os autores ressaltam a importância da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase, que catalisa a primeira reação da via e representa o principal ponto de controle metabólico. Essa enzima é regulada principalmente pela razão NADP⁺/NADPH, garantindo que a via seja ativada quando há demanda por poder redutor.

O NADPH produzido na fase oxidativa é apresentado como um cofator essencial para reações de biossíntese redutora, como a síntese de ácidos graxos, colesterol, hormônios esteroides e nucleotídeos. Além disso, o NADPH desempenha papel crucial na manutenção do equilíbrio redox celular, sendo indispensável para a regeneração da glutationa reduzida, um dos principais sistemas antioxidantes das células. Esse aspecto é particularmente enfatizado no contexto dos eritrócitos, que dependem exclusivamente da VPP para obter NADPH, já que não possuem mitocôndrias.

A fase não oxidativa da via das pentoses fosfato é descrita como reversível e altamente flexível. Nessa etapa, açúcares de cinco carbonos, como a ribose-5-fosfato, podem ser convertidos em intermediários da glicólise, como frutose-6-fosfato e gliceraldeído-3-fosfato. Os autores destacam que essa interconversão é catalisada por enzimas específicas, como a transcetolase e a transaldolase, permitindo que a célula ajuste o fluxo metabólico conforme suas necessidades.

A ribose-5-fosfato, produto importante da VPP, é ressaltada como precursora essencial para a síntese de nucleotídeos e ácidos nucleicos. Assim, a via das pentoses fosfato desempenha papel central em células em divisão ou com alta taxa de síntese de RNA e DNA. A flexibilidade da via permite que a célula produza ribose-5-fosfato mesmo quando não há necessidade simultânea de NADPH, ou, inversamente, gere NADPH sem acúmulo de pentoses.

O capítulo também enfatiza a integração metabólica da VPP com a glicólise e outras vias do metabolismo dos carboidratos. Dependendo das condições celulares, os intermediários podem ser direcionados para produção de energia, biossíntese ou manutenção do equilíbrio redox. Essa capacidade adaptativa reforça o caráter regulado e dinâmico do metabolismo celular.

Os autores abordam ainda a importância clínica da via das pentoses fosfato, destacando que deficiências na glicose-6-fosfato desidrogenase podem comprometer a produção de NADPH, tornando as células mais suscetíveis ao estresse oxidativo. Em eritrócitos, essa condição pode levar à hemólise, evidenciando a relevância fisiológica da via para a integridade celular.

O capítulo 12 apresenta a via das pentoses fosfato como uma rota metabólica essencial para a vida celular, não pela geração direta de ATP, mas por fornecer poder redutor e precursores biossintéticos indispensáveis. A abordagem clara e integrada adotada pelos autores permite compreender como essa via complementa a glicólise e contribui para a homeostase metabólica, reforçando seu papel central no metabolismo dos carboidratos e na proteção celular.

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