Por dentro da Bioquímica Básica, de Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres 4º edição. Capítulo 16: Metabolismo de Lipídios

 Por dentro da Bioquímica Básica,
de Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres
4º edição.


Capítulo 16: Metabolismo de Lipídios


O Metabolismo de Lipídios aborda os processos bioquímicos responsáveis pela digestão, armazenamento, mobilização e oxidação dos lipídios, ressaltando seu papel como a principal reserva energética dos organismos. Os autores destacam que os lipídios apresentam elevada densidade energética e desempenham funções centrais no metabolismo, especialmente em situações de jejum prolongado, exercício intenso e adaptação metabólica.

O capítulo inicia-se com uma visão geral do papel metabólico dos lipídios, enfatizando que os triacilgliceróis são a principal forma de armazenamento de energia nos animais. Esses lipídios são estocados principalmente no tecido adiposo e, quando necessário, são mobilizados para suprir as demandas energéticas dos tecidos. A degradação dos lipídios fornece grandes quantidades de ATP, tornando-os fundamentais para o metabolismo energético de longo prazo.

Em seguida, os autores descrevem o processo de digestão e absorção dos lipídios, que ocorre predominantemente no intestino delgado. Os triacilgliceróis da dieta são emulsificados pelos sais biliares e hidrolisados por lipases, resultando na formação de ácidos graxos livres e monoacilgliceróis. Esses produtos são absorvidos pelas células intestinais, reesterificados e incorporados a quilomícrons, que transportam os lipídios pela corrente sanguínea até os tecidos.

O capítulo dedica atenção especial à mobilização dos ácidos graxos a partir do tecido adiposo. Esse processo, denominado lipólise, envolve a hidrólise dos triacilgliceróis armazenados, liberando ácidos graxos livres e glicerol. A lipólise é rigidamente regulada por hormônios, sendo estimulada por glucagon, adrenalina e noradrenalina, e inibida pela insulina. Esse controle garante que os lipídios sejam utilizados como fonte de energia apenas quando necessário.

Os ácidos graxos livres liberados são transportados no plasma ligados à albumina e captados pelos tecidos, onde serão oxidados. A principal via de degradação dos ácidos graxos é a β-oxidação, que ocorre na matriz mitocondrial. Os autores descrevem a β-oxidação como um processo cíclico no qual os ácidos graxos são progressivamente encurtados, com liberação de unidades de acetil-CoA, além da produção de NADH e FADH₂. Esses produtos alimentam o Ciclo de Krebs e a cadeia de transporte de elétrons, resultando em elevada produção de ATP.

Antes de serem oxidados, os ácidos graxos precisam ser ativados no citosol e transportados para o interior da mitocôndria por meio do sistema da carnitina. Esse mecanismo é destacado como um ponto importante de regulação do metabolismo lipídico, pois controla a entrada dos ácidos graxos na mitocôndria. A β-oxidação é regulada principalmente pelo estado energético da célula e pela disponibilidade de substratos.

O capítulo também aborda a formação de corpos cetônicos, processo que ocorre no fígado quando há excesso de acetil-CoA, como em situações de jejum prolongado ou diabetes não controlado. Os corpos cetônicos, como o acetoacetato e o β-hidroxibutirato, são transportados para outros tecidos, onde podem ser utilizados como fonte alternativa de energia, especialmente pelo cérebro em condições específicas.

Além das vias catabólicas, os autores discutem a síntese de ácidos graxos, destacando que esse processo ocorre no citosol e é funcionalmente oposto à β-oxidação. A síntese lipídica é favorecida em condições de abundância energética e elevada disponibilidade de carboidratos, sendo estimulada pela insulina. O acetil-CoA, após ser transportado da mitocôndria para o citosol, é convertido em malonil-CoA, passo regulatório fundamental da lipogênese.

O capítulo enfatiza a integração entre o metabolismo dos lipídios e o metabolismo dos carboidratos, ressaltando que o excesso de glicose pode ser convertido em ácidos graxos para armazenamento, enquanto os lipídios podem fornecer energia quando a glicose é escassa. Essa interdependência garante flexibilidade metabólica e adaptação às diferentes condições nutricionais.

Capítulo, sobre o metabolismo de lipídios apresenta uma visão clara, integrada e funcional das principais vias envolvidas na utilização e no armazenamento dos lipídios. Ao relacionar digestão, transporte, oxidação e síntese, os autores demonstram como o metabolismo lipídico é essencial para o equilíbrio energético e para a sobrevivência dos organismos, consolidando seu papel central no metabolismo celular e sistêmico.

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