de Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres
4º edição.
O Capítulo 13. Metabolismo de Carboidratos: Glicogênio, Amido, Sacarose e Lactose aborda os principais polissacarídeos e dissacarídeos de importância biológica, enfatizando suas funções como reserva energética, fonte nutricional e reguladores do metabolismo da glicose. Os autores destacam que o metabolismo desses carboidratos está intimamente ligado à manutenção da glicemia e ao suprimento energético adequado dos tecidos.
O capítulo inicia-se com o estudo do glicogênio, o principal polissacarídeo de reserva dos animais. Estruturalmente, o glicogênio é um polímero altamente ramificado de glicose, o que permite rápida mobilização de suas unidades quando há demanda energética. Ele é armazenado principalmente no fígado e nos músculos, desempenhando funções distintas nesses tecidos. No fígado, o glicogênio atua na manutenção da glicose sanguínea entre as refeições, enquanto no músculo fornece energia imediata para a contração muscular.
Os autores descrevem a glicogênese, processo de síntese do glicogênio a partir da glicose, destacando as enzimas-chave envolvidas, como a glicogênio sintase. Esse processo ocorre quando há abundância de glicose e energia, sendo regulado por mecanismos hormonais e alostéricos. Em contraposição, a glicogenólise corresponde à degradação do glicogênio, liberando glicose-1-fosfato, que pode ser convertida em glicose-6-fosfato. No fígado, essa glicose pode ser desfosforilada e liberada na corrente sanguínea; no músculo, é direcionada para a glicólise, suprindo energia local.
A regulação do metabolismo do glicogênio recebe destaque, com ênfase no papel dos hormônios insulina, glucagon e adrenalina. A insulina estimula a síntese de glicogênio, enquanto o glucagon e a adrenalina favorecem sua degradação. Esse controle hormonal garante o equilíbrio entre armazenamento e mobilização de glicose, essencial para a homeostase energética do organismo.
Em seguida, o capítulo aborda o amido, o principal polissacarídeo de reserva dos vegetais e uma das mais importantes fontes de carboidratos na dieta humana. O amido é constituído por duas frações: amilose, de estrutura linear, e amilopectina, altamente ramificada. Os autores explicam que a digestão do amido começa na cavidade oral e prossegue no trato gastrointestinal, resultando na liberação de glicose, que pode ser absorvida e utilizada pelas células.
O metabolismo dos dissacarídeos sacarose e lactose também é discutido de forma clara e aplicada. A sacarose, formada por glicose e frutose, é amplamente consumida na alimentação humana e hidrolisada pela enzima sacarase no intestino delgado. A frutose liberada pode ser metabolizada principalmente no fígado, entrando em vias metabólicas específicas que convergem para a glicólise.
A lactose, dissacarídeo composto por glicose e galactose, é o principal carboidrato do leite. Sua digestão depende da enzima lactase, presente na mucosa intestinal. Os autores destacam que a galactose resultante é convertida em intermediários da glicólise por meio de uma sequência de reações específicas. O capítulo também aborda a intolerância à lactose, condição decorrente da deficiência de lactase, ressaltando sua relevância clínica e nutricional.
Ao longo do texto, enfatiza-se a integração metabólica entre esses carboidratos e as vias centrais do metabolismo energético. A glicose liberada a partir do glicogênio, do amido, da sacarose e da lactose pode ser direcionada para a glicólise, a via das pentoses fosfato ou a síntese de glicogênio, conforme as necessidades celulares e o estado nutricional do organismo.
Os autores ressaltam ainda que o metabolismo desses carboidratos não ocorre de forma isolada, mas é rigorosamente regulado para garantir o suprimento contínuo de energia, especialmente para tecidos dependentes de glicose, como o cérebro e os eritrócitos. Alterações nessas vias podem resultar em distúrbios metabólicos relevantes, como hipoglicemia e doenças de armazenamento de glicogênio.
O capítulo 13 oferece uma visão integrada e funcional do metabolismo do glicogênio, do amido, da sacarose e da lactose, destacando sua importância na nutrição, no armazenamento energético e na regulação da glicemia. A abordagem adotada permite compreender como esses carboidratos sustentam o metabolismo energético e contribuem para a manutenção do equilíbrio metabólico, consolidando este capítulo como fundamental para o entendimento do metabolismo dos carboidratos nos sistemas biológicos.
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