A tecnologia da informação em saúde, quando bem implementada e utilizada, é uma das aliadas mais potentes para a operacionalização do uso racional no dia a dia clínico. O prontuário eletrônico (PE) integrado a sistemas de apoio à decisão clínica (Clinical Decision Support Systems - CDSS) representa um avanço transformador. Esses sistemas podem ser programados com regras baseadas nas melhores evidências e diretrizes de entidades como a SBPC/ML, IFCC e sociedades de especialidade. No momento da solicitação, o CDSS pode intervir de várias formas: alertando sobre duplicidade de pedidos recentes, sugerindo o teste mais específico para uma dada condição, desencorajando a solicitação de exames com baixa utilidade em determinado contexto (como a creatina fosfoquinase em um check-up de rotina assintomático) ou até mesmo exigindo que o médico preencha uma justificativa clínica para exames de alto custo ou uso restrito.
Além do apoio no momento do pedido, o PE integrado facilita o acesso ao histórico completo do paciente, reduzindo a repetição desnecessária de exames recentes cujos resultados já estão disponíveis. A interoperabilidade entre diferentes sistemas de saúde (hospitais, laboratórios, ambulatórios) é um desafio, mas quando superada, é crucial para evitar desperdício e riscos. A tecnologia também permite a geração de relatórios de gestão da utilização, identificando padrões de solicitação, outliers e oportunidades de melhoria. Laboratórios acreditados por programas como os do DICQ são incentivados a usar dados para a melhoria contínua de processos, e a TI é a ferramenta que viabiliza essa análise. No entanto, é crucial que os alertas do CDSS sejam bem desenhados, baseados em evidências sólidas e não excessivos, para evitar a "fadiga de alertas", onde os clínicos passam a ignorar todas as mensagens do sistema, incluindo as importantes. A tecnologia, portanto, não é uma solução mágica, mas uma ferramenta poderosa que deve ser guiada por uma estratégia clara de promoção da racionalidade.
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