Amostra de Sangue e de Urina

 Amostra de Sangue
& de Urina




O quinto capítulo é dedicado à fase pré-analítica, abordando os procedimentos corretos para a coleta, manipulação e preservação das amostras de sangue e urina, etapas fundamentais para garantir a confiabilidade dos resultados laboratoriais. O texto enfatiza que, por não existir um sistema único de coleta que atenda a todas as necessidades, é essencial que a equipe esteja atenta aos detalhes para evitar erros que possam comprometer o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.

A coleta de sangue é apresentada como o procedimento mais frequente, podendo ser realizada por três vias principais: punção venosa, arterial ou capilar. O sangue venoso é o mais utilizado devido à facilidade de obtenção, sendo as veias superficiais do antebraço, como a cubital mediana, os locais de eleição. O sangue arterial é reservado para exames específicos, como a gasometria, enquanto a punção capilar é empregada principalmente em neonatos e bebês, por meio da punção na região lateral do calcanhar ou na polpa digital, respeitando-se limites de profundidade para evitar lesões.

O capítulo descreve os sistemas de coleta, com destaque para o sistema a vácuo, que utiliza tubos com diferentes anticoagulantes ou ativadores de coágulo, dependendo do tipo de amostra desejada: soro (sangue sem anticoagulante, que coagula e, após centrifugação, fornece o soro) ou plasma (obtido a partir de sangue total com anticoagulante, que impede a coagulação). A escolha entre soro e plasma depende dos analitos a serem dosados e das recomendações técnicas de cada método.

A coleta em crianças e neonatos recebe atenção especial devido às dificuldades inerentes a esse grupo. O volume de sangue a ser retirado deve ser rigorosamente controlado, conforme orientações que relacionam o peso da criança à quantidade máxima segura. Além disso, são necessários cuidados para minimizar o trauma e a ansiedade, envolvendo os pais e utilizando técnicas adequadas de contenção.

A gasometria arterial é tratada como um procedimento que exige cuidados adicionais. A amostra deve ser coletada em seringa com heparina, livre de bolhas de ar, e imediatamente imersa em gelo para preservar a estabilidade dos gases. O transporte ao laboratório deve ser rápido, com processamento em até 15 minutos, pois atrasos ou condições inadequadas de armazenamento alteram significativamente os valores de pH, PaO₂ e PaCO₂.

Em relação à urina, o capítulo detalha os diferentes tipos de coleta conforme a finalidade do exame. Para a urinálise de rotina, recomenda-se a primeira amostra da manhã, por ser mais concentrada e representativa. Em crianças pequenas, utilizam-se coletores autoadesivos hipoalergênicos, com cuidados rigorosos de higiene para evitar contaminação. A coleta de urina de 24 horas, empregada para dosagens quantitativas, exige que o paciente seja orientado a desprezar a primeira micção e a recolher todas as eliminações subsequentes no frasco apropriado, mantendo a amostra refrigerada durante todo o período. O texto menciona também a coleta por cateter vesical e por punção suprapúbica, esta última reservada para situações especiais como culturas anaeróbicas ou quando a contaminação não pode ser tolerada.

O capítulo destaca a importância do armazenamento e transporte adequados. Amostras de urina devem ser processadas em até uma hora ou, na impossibilidade, refrigeradas a 2-10°C. Frascos danificados ou prazos ultrapassados justificam a recusa da amostra. Os principais erros na coleta de urina de 24 horas incluem a perda de micções, a não refrigeração e a ausência de conservantes quando indicado. Assim, o texto reforça que a qualidade do resultado final depende diretamente da correção de cada etapa da fase pré-analítica, desde o preparo do paciente até a chegada da amostra ao setor de análises.

Comentários