A Cabine de Segurança Biológica
e a Estufa de Cultura
Em extremos opostos da proteção e da propagação da vida, a cabine de segurança biológica e a estufa de cultura formam um ecossistema de controle absoluto. A cabine, frequentemente chamada de fluxo laminar embora o termo tecnicamente se refira ao princípio de movimentação do ar, não é um equipamento de proteção da amostra, mas sim do operador e do ambiente. Ela cria uma barreira de ar estéril através de filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) que capturam 99,97% das partículas de 0,3 micrômetros. O ar é insuflado de forma unidirecional, impedindo que aerossóis contaminados com patógenos como o Mycobacterium tuberculosis escapem da área de trabalho e atinjam as vias respiratórias do biomédico.
Em contraste, a estufa de cultura, ou incubadora de CO2, tem a missão de mimetizar o interior do corpo humano para que microrganismos ou células eucarióticas prosperem. Seu interior, aquecido a 37°C e saturado com 5% de dióxido de carbono, mantém o pH fisiológico do meio de cultura através do equilíbrio do tampão bicarbonato. As estantes de cobre ou aço inoxidável abrigam garrafas e placas de Petri onde colônias de Staphylococcus se expandem para testes de sensibilidade a antibióticos. Enquanto a cabine de segurança expele o perigo para proteger o homem, a estufa cultiva o microrganismo para que ele seja estudado. Juntas, elas representam a dualidade do laboratório clínico: um espaço onde se nega a vida microbiana no ar para desvendá-la com segurança no interior controlado de uma câmara aquecida.
Comentários
Postar um comentário