Destilador de Água e a Pureza Reagente

 Destilador de Água e a
 Pureza Reagente


A água, solvente universal por excelência, pode ser a maior fonte de contaminação em um laboratório clínico se não for purificada com o rigor de um reagente crítico, e é o destilador que assume essa função primordial. O equipamento opera pelo princípio físico da mudança de estado, promovendo a vaporização e a condensação. A água bruta, contendo sais minerais, cloro residual e material orgânico, é aquecida por resistências elétricas até a ebulição violenta. Nesse processo, as moléculas de H₂O puras ganham energia cinética suficiente para escapar da fase líquida, enquanto os íons metálicos (ferro, cálcio, magnésio) e as endotoxinas bacterianas, por possuírem pontos de ebulição muito mais altos e massas moleculares elevadas, permanecem na câmara de ebulição como resíduo sólido.

O vapor sobe por uma coluna, onde um sistema de chicanas ou esferas de vidro retém microgotículas de arraste que poderiam carregar impurezas, e então alcança o condensador, uma serpentina resfriada por água corrente. O choque térmico converte o vapor novamente em líquido, gotejando em um reservatório de vidro borossilicato. O resultado é uma água com condutividade elétrica baixíssima e pH neutro. No laboratório, essa água grau II ou III é indispensável no preparo de soluções salinas, no enxágue final da vidraria lavada com detergente e no abastecimento de analisadores automáticos, que obstruiriam suas agulhas e cubetas se fossem alimentados com água mineral. Embora sistemas de osmose reversa venham se popularizando, o destilador resiste pela simplicidade robusta. O constante borbulhar do líquido em ebulição é o lembrete auditivo de que, antes de qualquer reação bioquímica, é preciso separar a água de tudo aquilo que não é água.



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