Equipamentos sem manutenção ou que não estejam calibrados

 Equipamentos sem manutenção ou
 que não estejam calibrados



Equipamentos laboratoriais são o núcleo operacional da fase analítica, e sua confiabilidade depende diretamente de manutenções preventivas e calibrações periódicas. Quando um equipamento não é calibrado, suas medições tornam-se sistematicamente desviadas do valor verdadeiro, gerando erros constantes que podem passar despercebidos por longos períodos. Por exemplo, uma pipeta automática cujo volume real está 5% abaixo do selecionado produzirá concentrações finais 5% acima do esperado; um espectrofotômetro com comprimento de onda mal ajustado subestimará ou superestimará absorbâncias; uma balança analítica descalibrada introduzirá erros em todas as pesagens subsequentes. A falta de manutenção vai além da calibração: inclui a limpeza inadequada de cubetas, que pode formar depósitos que interferem na passagem da luz; o desgaste de seringas em equipamentos de automação, gerando volumes imprecisos; ou a obstrução de agulhas de amostragem, causando alíquotas parciais. Equipamentos como termocicladores (em biologia molecular) ou analisadores bioquímicos possuem componentes eletromecânicos que se degradam com o uso: lâmpadas de xenônio perdem intensidade, motores perdem torque, sensores de posição ganham folga. Sem um plano de manutenção documentado, esses defeitos acumulam-se e só são detectados quando os controles de qualidade internos apresentam desvios ou, pior, quando resultados de pacientes já foram liberados. A prevenção inclui a calibração rastreável a padrões nacionais ou internacionais, com periodicidade definida pelo fabricante e pela regulamentação (a exemplo da RDC 302/2005 no Brasil para laboratórios clínicos). Além disso, devem ser registrados diariamente controles internos (como soluções padrão de absorbância conhecida) para monitorar a estabilidade do equipamento. A manutenção corretiva já indica falha instalada; a preventiva é a que efetivamente protege a fase analítica. Portanto, um laboratório que negligenciar esses cuidados terá resultados não confiáveis, mesmo que todos os outros aspectos, reagentes, amostras, cálculos, estejam perfeitos, pois o instrumento de medida é a extensão final do analista e sua precisão define o limite inferior da qualidade analítica.

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