ACTH
(Hormônio Adrenocorticotrópico)
O ACTH, ou corticotrofina, é o hormônio polipeptídico secretado pelos corticotrofos da adeno-hipófise, e sua dosagem plasmática é o exame que, em conjunto com o cortisol, define a etiologia das disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, atuando como o divisor de águas que diferencia as causas primárias, de origem adrenal, das causas secundárias, de origem hipofisária ou ectópica. O ACTH é sintetizado como parte de um pró-hormônio maior, a pró-opiomelanocortina (POMC), que é clivada em ACTH e outros peptídeos biologicamente ativos. A secreção de ACTH é estimulada pelo CRH hipotalâmico e é finamente regulada pelo feedback negativo do cortisol. O ACTH circulante liga-se ao receptor de melanocortina tipo 2 no córtex adrenal, estimulando a esteroidogênese e a secreção de cortisol e andrógenos adrenais. A dosagem do ACTH é tecnicamente exigente, pois o hormônio é instável no plasma, exigindo coleta em tubo com EDTA, centrifugação a frio e transporte em gelo.
A principal aplicação clínica do ACTH é a localização do defeito após a confirmação bioquímica de hipercortisolismo ou de insuficiência adrenal. Em um paciente com Síndrome de Cushing confirmada, um ACTH suprimido, abaixo do limite inferior da normalidade, estabelece o diagnóstico de Síndrome de Cushing ACTH-independente, que é de origem adrenal. As causas incluem adenoma, carcinoma e hiperplasia adrenal. A supressão do ACTH ocorre porque o excesso de cortisol produzido autonomamente pelo tumor adrenal inibe a secreção hipofisária. Em contraste, um ACTH elevado ou inapropriadamente normal na presença de cortisol elevado define a Síndrome de Cushing ACTH-dependente. A maioria destes casos é a Doença de Cushing, um microadenoma hipofisário secretor de ACTH. A secreção ectópica de ACTH por tumores neuroendócrinos, como o carcinoma de pulmão de pequenas células, é uma causa importante a ser considerada.
Na Insuficiência Adrenal, a dosagem do ACTH tem a mesma lógica localizatória. Um cortisol baixo com ACTH marcadamente elevado, frequentemente acima de 100 pg/mL, confirma a Insuficiência Adrenal Primária, ou Doença de Addison, onde a destruição do córtex adrenal remove o feedback negativo e a hipófise responde com hipersecreção de ACTH. Um cortisol baixo com ACTH baixo ou inapropriadamente normal indica Insuficiência Adrenal Secundária, por supressão ou doença hipofisária ou hipotalâmica. Em suma, o ACTH é o biomarcador que fornece a localização anatômica do problema no eixo HHA, sendo indispensável para direcionar os exames de imagem e o tratamento etiológico.
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