ALT / SGPT (Alanina Aminotransferase)

 ALT / SGPT
(Alanina Aminotransferase)



A Alanina Aminotransferase, universalmente conhecida pela sigla ALT ou pelo termo histórico SGPT (Transaminase Glutâmico-Pirúvica Sérica), é a enzima que ocupa o posto de marcador mais específico de lesão do hepatócito no painel hepático laboratorial. A ALT é uma enzima citosólica que catalisa a transferência reversível de um grupo amino da alanina para o alfa-cetoglutarato, formando piruvato e glutamato, uma reação central no metabolismo dos aminoácidos e na gliconeogênese hepática. A sua distribuição tecidual é a chave de sua elevada especificidade clínica. Embora pequenas quantidades de ALT possam ser encontradas no músculo estriado esquelético, no rim e no coração, a sua concentração no citoplasma do hepatócito é ordens de grandeza superior a qualquer outro tecido. Consequentemente, um aumento significativo na ALT sérica é, na vasta maioria das situações clínicas, um marcador inequívoco de dano à membrana do hepatócito, resultando no extravasamento do conteúdo enzimático para a corrente sanguínea.

A principal indicação clínica para a dosagem da ALT é a detecção e o monitoramento de hepatopatias caracterizadas por lesão hepatocelular, notadamente as hepatites virais agudas e crônicas, a esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e a hepatite alcoólica. Em um quadro típico de hepatite viral aguda, a ALT pode elevar-se a níveis dramaticamente altos, frequentemente superiores a 500 ou até 1000 U/L, refletindo a intensidade da resposta imune citotóxica contra os hepatócitos infectados. Em condições mais indolentes e crônicas, como na esteatose hepática que evolui para esteato-hepatite, as elevações de ALT são mais sutis, porém persistentes, configurando o achado laboratorial que desencadeia a investigação de uma síndrome metabólica subjacente. É precisamente esta sensibilidade que torna a ALT o exame de triagem por excelência, incluído em check-ups de rotina, sendo o alarme bioquímico que frequentemente revela uma doença hepática silenciosa e assintomática.

A interpretação do valor da ALT jamais deve ser feita de forma absoluta e isolada, mas sim integrada à análise da AST. A relação AST/ALT, conhecida como Índice de De Ritis, é uma ferramenta semiológica clássica que auxilia no diagnóstico diferencial. Na maioria das hepatites virais crônicas e na NASH, a ALT predomina, com a relação AST/ALT inferior a 1. Em contraste, na hepatopatia alcoólica avançada e na cirrose, frequentemente observa-se uma inversão dessa relação, com AST maior que ALT. Ademais, a dinâmica de queda da ALT é tão informativa quanto a sua elevação, sinalizando a cessação da agressão e o início da regeneração hepatocelular. É imperativo, contudo, compreender que um valor normal de ALT não exclui a existência de hepatopatia crônica, particularmente em estágios de cirrose inativa, onde a massa de hepatócitos viáveis é tão reduzida que a quantidade total de enzima liberada é baixa, um paradoxo clínico que reforça a necessidade da avaliação conjunta com marcadores de função e exames de imagem.

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