Bandas Oligoclonais no LCR

 Bandas Oligoclonais
no LCR


A pesquisa de bandas oligoclonais de IgG no LCR, realizada por eletroforese e focalização isoelétrica, é o exame imunológico de referência para a demonstração de síntese intratecal de imunoglobulinas, sendo o biomarcador laboratorial mais importante e de maior especificidade para o diagnóstico da Esclerose Múltipla. O princípio do exame baseia-se na comparação do perfil eletroforético das IgG presentes no LCR e no soro do mesmo paciente, obtidos simultaneamente. Em condições normais, as IgG do LCR são derivadas do plasma por filtração passiva, e o padrão de bandas no LCR é idêntico ao do soro. Na Esclerose Múltipla e em outras doenças inflamatórias do SNC, linfócitos B e plasmócitos ativados dentro do SNC produzem IgG de forma local e clonal, resultando no aparecimento de bandas de imunoglobulinas no LCR que não estão presentes no soro correspondente. Estas são as bandas oligoclonais, e a sua presença constitui evidência de síntese intratecal de anticorpos.

A principal aplicação clínica das bandas oligoclonais é o diagnóstico da Esclerose Múltipla, onde estão presentes em mais de 90% dos pacientes. As bandas oligoclonais são um dos critérios diagnósticos de disseminação no tempo, e a sua positividade, em um contexto clínico e radiológico compatível, permite o diagnóstico de Esclerose Múltipla e o início precoce do tratamento modificador da doença. O padrão característico é a presença de duas ou mais bandas no LCR que estão ausentes no soro. A interpretação do resultado baseia-se em cinco padrões possíveis, e o padrão tipo 2, com bandas exclusivas no LCR, é o que define a síntese intratecal e é o padrão observado na Esclerose Múltipla.

É importante ressaltar que as bandas oligoclonais não são patognomônicas de Esclerose Múltipla e podem ser encontradas em outras doenças inflamatórias e infecciosas do SNC, como neurossífilis, neuroborreliose, panencefalite esclerosante subaguda, neurolúpus e infecções virais crônicas. Por esta razão, o diagnóstico de Esclerose Múltipla permanece baseado na integração de critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais. As bandas oligoclonais, uma vez presentes, tendem a persistir ao longo da doença, e a sua negativação com o tratamento é um evento raro. A coleta pareada de LCR e soro no mesmo momento é indispensável para a correta interpretação. Em suma, as bandas oligoclonais são o marcador imunológico que revela a inflamação intratecal crônica característica da Esclerose Múltipla, sendo um dos exames de maior impacto no diagnóstico diferencial das doenças desmielinizantes.

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