Cálcio Total
Sérico
O cálcio total sérico é um dos exames mais fundamentais na avaliação do metabolismo ósseo, refletindo a homeostase mineral do organismo. Cerca de 99% do cálcio corporal está armazenado nos ossos, atuando como um reservatório que pode ser mobilizado conforme as necessidades fisiológicas. No sangue, o cálcio circula em três formas: aproximadamente 40% ligado a proteínas plasmáticas, principalmente albumina; 10% complexado a ânions como fosfato e citrato; e 50% na forma iônica (livre), que é a fração biologicamente ativa . Os valores normais de cálcio total variam entre 8,4 e 10,5 mg/dL, sendo mantidos dentro de uma faixa estreita por um complexo sistema de regulação hormonal que envolve o hormônio paratireoidiano (PTH), a vitamina D e a calcitonina.
A dosagem do cálcio total sérico é um exame de primeira linha para a investigação de distúrbios do metabolismo mineral que afetam o sistema esquelético. A hipercalcemia, definida como níveis de cálcio total superiores a 10,5 mg/dL, pode indicar hiperparatireoidismo primário, doenças granulomatosas (como sarcoidose), neoplasias malignas com produção de PTH-rp (proteína relacionada ao PTH), ou toxicidade por vitamina D. Na prática clínica, a hipercalcemia frequentemente está associada a quadros de reabsorção óssea acelerada, como no mieloma múltiplo ou em metástases ósseas, que liberam cálcio da matriz óssea para a circulação .
A hipocalcemia, por sua vez, é definida como níveis de cálcio total inferiores a 8,4 mg/dL e pode resultar de deficiência de vitamina D, hipoparatireoidismo, insuficiência renal crônica, ou deficiência de magnésio. A hipocalcemia prolongada compromete a mineralização óssea, levando ao desenvolvimento de osteomalácia em adultos e raquitismo em crianças, condições caracterizadas por ossos fracos e deformidades esqueléticas . Os sintomas da hipocalcemia incluem parestesias periorais e digitais, espasmos musculares e, em casos graves, tetania e convulsões.
É fundamental destacar que a interpretação do cálcio total sérico deve considerar a concentração de albumina, pois uma fração significativa do cálcio circulante está ligada a essa proteína. Em pacientes com hipoalbuminemia (como em desnutrição, síndrome nefrótica ou hepatopatias), o cálcio total pode estar falsamente baixo, mesmo com níveis de cálcio iônico normais. Para esses casos, recomenda-se a correção do cálcio pela albumina ou a dosagem direta do cálcio iônico, garantindo uma avaliação mais precisa do estado mineral do paciente . Além disso, o pH sérico influencia a fração de cálcio ionizado, com a acidose aumentando e a alcalose diminuindo a disponibilidade da forma ativa, o que deve ser considerado em situações de distúrbios ácido-base.
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