Calcitonina

 Calcitonina


A calcitonina é um hormônio peptídico de 32 aminoácidos produzido pelas células parafoliculares (células C) da tireoide, com função oposta ao PTH na regulação do cálcio sérico, atuando como um hormônio hipocalcemiante. A calcitonina inibe a reabsorção óssea pelos osteoclastos, reduz a reabsorção tubular renal de cálcio e fósforo, e inibe a absorção intestinal de cálcio. Embora sua importância fisiológica no adulto seja limitada (já que a deficiência de calcitonina não causa anormalidades significativas no metabolismo do cálcio), sua dosagem tem relevância clínica principalmente como marcador tumoral para o carcinoma medular da tireoide e para o monitoramento de distúrbios do metabolismo do cálcio .

O carcinoma medular da tireoide (CMT) é uma neoplasia maligna originada das células C, que produz quantidades excessivas de calcitonina. A dosagem da calcitonina sérica é o marcador tumoral mais sensível e específico para o diagnóstico e monitoramento do CMT, sendo recomendada em pacientes com nódulos tireoidianos, especialmente naqueles com história familiar de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), síndrome que inclui o CMT como uma de suas manifestações. Níveis elevados de calcitonina (>100 pg/mL) são altamente sugestivos de CMT, e a dosagem é utilizada não apenas no diagnóstico, mas também no monitoramento pós-operatório para detectar doença residual ou recidiva .

Além de seu papel no carcinoma medular, a calcitonina tem sido estudada como agente terapêutico no tratamento da osteoporose. A calcitonina exógena, administrada por via intranasal ou subcutânea, tem efeito inibidor sobre a reabsorção óssea e é utilizada no tratamento da osteoporose pós-menopáusica e da doença de Paget, especialmente em pacientes que não toleram ou têm contraindicação aos bisfosfonatos. Estudos demonstram que a calcitonina reduz o risco de fraturas vertebrais e alivia a dor óssea na doença de Paget, embora seu efeito seja menos pronunciado que o dos bisfosfonatos.

A dosagem da calcitonina também pode ser útil no diagnóstico diferencial das hipercalcemias, onde níveis elevados podem sugerir produção ectópica em tumores como carcinoma de pulmão de pequenas células, carcinoma de mama e feocromocitoma. Contudo, a interpretação dos níveis de calcitonina deve considerar a função renal, já que sua depuração é principalmente renal, e pacientes com insuficiência renal podem apresentar níveis elevados sem evidência de tumor. Os valores de referência variam conforme o método laboratorial e devem ser interpretados no contexto clínico do paciente.

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