Cortisol Sérico
(ou Salivar / Urinário de 24h)
A dosagem do cortisol, seja no soro, na saliva ou na urina de 24 horas, é o exame laboratorial de primeira linha para a investigação das patologias do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sendo essencial para o diagnóstico da Síndrome de Cushing, que é o estado de hipercortisolismo crônico, e da Insuficiência Adrenal, a deficiência de cortisol. O cortisol é o principal glicocorticoide humano, sintetizado no córtex adrenal a partir do colesterol sob o estímulo do ACTH hipofisário. A sua secreção segue um ritmo circadiano rigoroso, com pico nas primeiras horas da manhã, entre 6 e 8 horas, e nadir à meia-noite, um ciclo que é controlado pelo núúcleo supraquiasmático hipotalâmico. O cortisol exerce funções vitais no metabolismo energético, promovendo a gliconeogênese e a lipólise, na modulação da resposta imune e inflamatória, como potente anti-inflamatório, e na resposta ao estresse. Aproximadamente 90% do cortisol circula ligado à globulina ligadora de corticosteroides, e a fração livre é a biologicamente ativa.
A principal aplicação clínica do cortisol é o diagnóstico da Síndrome de Cushing. A investigação inicia-se com um dos testes de triagem de primeira linha. A dosagem do cortisol livre em urina de 24 horas avalia a produção integrada diária de cortisol, eliminando a influência do ritmo circadiano, e valores acima do limite superior confirmam o hipercortisolismo. O cortisol salivar à meia-noite, coletado pelo paciente em casa, é um método altamente sensível e específico que explora a perda do nadir circadiano, que é o evento endócrino mais precoce e consistente na Síndrome de Cushing. O teste de supressão noturna com 1 mg de dexametasona é outro teste de triagem, onde a ausência de supressão do cortisol sérico matinal confirma a autonomia da secreção de cortisol. Uma vez confirmado o hipercortisolismo, a dosagem do ACTH diferencia as causas ACTH-dependentes das ACTH-independentes.
No diagnóstico da Insuficiência Adrenal, a dosagem do cortisol sérico basal pela manhã é o primeiro passo. Um valor de cortisol basal inferior a 3 µg/dL é altamente sugestivo de insuficiência adrenal, enquanto valores acima de 15 µg/dL virtualmente a excluem. Para valores intermediários, o padrão-ouro é o teste de estímulo com ACTH sintético, que avalia a reserva funcional do córtex adrenal. A ausência de uma resposta adequada do cortisol ao estímulo confirma a insuficiência. A interpretação do cortisol deve considerar condições que alteram os níveis da proteína transportadora, como a gestação e o uso de estrogênios, que elevam o cortisol total, mas não o cortisol livre, sendo o cortisol salivar uma alternativa. Em suma, a dosagem do cortisol, nas suas diversas modalidades, é a chave para abrir a investigação das doenças do eixo adrenal, fornecendo a evidência bioquímica do excesso ou da deficiência.
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