Diagnóstico Clínico Laboratorial
do Câncer Colorretal (CCR)
O câncer colorretal (CCR), que abrange as neoplasias malignas do cólon e do reto, consolidou uma preocupante tendência de alta confirmada nos relatórios epidemiológicos de 2025/2026, figurando solidamente no "top 3" dos tumores sólidos mais incidentes em todo o país. Sob a perspectiva do profissional de análises clínicas, o enfrentamento dessa patologia impõe uma rotina laboratorial rigorosa e estratégica, focada tanto na triagem populacional de lesões precursoras, como os pólipos adenomatosos, quanto no fornecimento de biomarcadores que auxiliam no estadiamento e prognóstico. Uma vez que o desenvolvimento do CCR é frequentemente silencioso em suas fases iniciais, o laboratório atua como um escudo preventivo fundamental, transformando pequenos indícios biológicos em alertas cruciais para a realização de intervenções diagnósticas definitivas.
Para se chegar ao diagnóstico clínico-laboratorial do câncer colorretal, o fluxo inicia-se com os programas de rastreamento voltados à população assintomática acima de 45 anos. Na bancada de urinálise e parasitologia, o analista clínico realiza a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF). Atualmente, a técnica baseada no método do guaiaco foi amplamente substituída pelo Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que utiliza anticorpos específicos para detectar a hemoglobina humana. O FIT revolucionou a triagem por não sofrer interferência de medicamentos ou da dieta do paciente, apresentando alto valor preditivo para sangramentos decorrentes de lesões neoplásicas intestinais. Diante de um FIT reagente, a conduta clínica mandatória é o encaminhamento da paciente para a colonoscopia com biópsia. O fragmento tecidual obtido é enviado ao setor de patologia para a análise histopatológica, o padrão-ouro definitivo que confirma o carcinoma e determina o grau de diferenciação celular.
Complementando o diagnóstico e o manejo clínico, o setor de imunologia atua na dosagem de marcadores tumorais séricos, sendo o Antígeno Carcinoembrionário (CEA) o principal deles. Realizado por metodologias automatizadas de quimioluminescência, o CEA não possui especificidade para o rastreamento inicial devido a possíveis falso-positivos, mas sua dosagem pré-operatória é indispensável para traçar o perfil prognóstico e avaliar a massa tumoral. Nos estágios mais avançados, o laboratório também identifica repercussões sistêmicas no hemograma, como uma anemia ferropriva refratária decorrente do sangramento crônico oculto, caracterizada por microcitose e hipocromia, além da elevação de marcadores inflamatórios como a Proteína C Reativa (PCR).
Uma vez firmado o veredito diagnóstico através da histopatologia, o direcionamento para o tratamento é estabelecido com base no estadiamento do tumor. Para os carcinomas localizados, a abordagem cirúrgica (colectomia) para a ressecção do segmento afetado e dos linfonodos adjacentes é a conduta primária, podendo ser associada à quimioterapia adjuvante. Nos cenários de doença metastática, a biologia molecular tornou-se indispensável: o analista realiza testes genéticos no tecido tumoral para pesquisar mutações nos oncogenes KRAS, NRAS e BRAF, além de avaliar a instabilidade de microssatélites (MSI). Esses dados moleculares determinam se o paciente responderá a terapias de alvo molecular ou à imunoterapia. No pós-operatório, o profissional de análises clínicas assume o papel vital de monitorar o paciente por meio de dosagens seriadas do CEA; um aumento subsequente desse marcador é o principal sinalizador laboratorial de recidiva tumoral ou metástase, consolidando o analista como peça-chave desde o rastreamento até a sobrevida do paciente.
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