Diagnóstico Clínico Laboratorial da Sífilis

SÍFILIS


A sífilis, infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, voltou a ocupar posição de destaque entre as prioridades de saúde pública no Brasil, com taxas de incidência crescentes tanto na população geral quanto entre gestantes, cenário que torna o diagnóstico laboratorial preciso e ágil uma prioridade absoluta na minha rotina.

O diagnóstico baseia-se na combinação de testes treponêmicos e não treponêmicos. Os testes não treponêmicos, como VDRL e RPR, são amplamente utilizados tanto para triagem quanto para monitoramento da resposta terapêutica, uma vez que seus títulos declinam após tratamento eficaz, por isso emito os resultados sempre de forma titulada, permitindo o acompanhamento evolutivo. Os testes treponêmicos, como FTA-Abs, TPHA e testes rápidos, uma vez reagentes, tendem a permanecer positivos por toda a vida, não servindo para monitoramento de cura.

Trabalho com dois fluxogramas principais: o tradicional, que inicia a triagem por teste não treponêmico e confirma com treponêmico, e o reverso, cada vez mais adotado em razão da automação, que inicia pelo treponêmico e confirma e titula pelo não treponêmico. Essa segunda estratégia exige atenção redobrada na interpretação de resultados discordantes, situação que pode indicar infecção muito recente, cicatriz sorológica ou falso-positivo, exigindo teste de metodologia distinta para elucidação.

Na sífilis gestacional, minha atuação assume relevância ainda maior, pois o diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para a prevenção da sífilis congênita. Recomendo a triagem sorológica em toda gestante no primeiro e no terceiro trimestre, além do momento do parto, dada a possibilidade de soroconversão ao longo da gestação.

Diante de todo diagnóstico confirmado de sífilis, oriento sistematicamente a testagem concomitante para outras infecções sexualmente transmissíveis, especialmente o HIV e as hepatites virais B e C, dada a sobreposição epidemiológica frequente entre essas condições. Em pacientes com sinais neurológicos, oftalmológicos ou auditivos sugestivos de neurossífilis, participo ainda da análise do líquido cefalorraquidiano, cuja pesquisa de VDRL, embora pouco sensível, apresenta alta especificidade quando reagente, sendo fundamental para a confirmação diagnóstica nesses casos mais complexos, que exigem esquema terapêutico e acompanhamento diferenciados.

Dessa forma, o profissional de análises clínicas exerce papel central não apenas na confirmação diagnóstica da sífilis, mas também no monitoramento terapêutico por meio da titulação seriada dos testes não treponêmicos e no rastreamento sistemático de infecções associadas, contribuindo diretamente para o controle epidemiológico dessa infecção que, apesar de curável e de fácil diagnóstico laboratorial, segue negligenciada em diversas regiões do território nacional.



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