Diagnóstico Clínico Laboratorial
da Leishmaniose Tegumentar
Para se chegar ao diagnóstico clínico-laboratorial da Leishmaniose Tegumentar, o ponto de partida é a coleta por raspado ou biópsia da borda ativa da lesão ulcerada. O profissional realiza o esfregaço em lâmina, seguido pela coloração de Giemsa ou Leishman. Ao microscópio, busca-se identificar as formas amastigotas do parasita, caracterizadas por seu formato ovalado, núcleo e cinetoplasto evidentes, localizadas no interior de macrófagos. Devido à redução da carga parasitária em lesões crônicas, métodos imunológicos como a Intradermorreação de Montenegro (IDM), que avalia a resposta imune celular, foram historicamente úteis, embora testes moleculares como a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) venham se consolidando na rotina por apresentarem máxima sensibilidade para detectar o DNA do parasita nessas amostras teciduais.
No caso da Leishmaniose Visceral, o fluxograma laboratorial direciona-se para a avaliação sistêmica. A triagem na rotina de urgência é feita por imunocromatografia (testes rápidos), utilizando o antígeno recombinante rK39, que possui alta especificidade e sensibilidade no sangue total ou soro. Para a confirmação definitiva, o padrão-ouro clássico reside no exame parasitológico direto por meio do aspirado de medula óssea (mielograma). O analista clínico examina minuciosamente o esfregaço corado para visualizar as formas amastigotas livres ou fagocitadas. Adicionalmente, o laboratório clínico registra alterações hematológicas e bioquímicas marcantes na LV, como pancitopenia severa (anemia, leucopenia e plaquetopenia) no hemograma, e uma inversão do padrão de proteínas plasmáticas (hipoalbuminemia com hiperglobulinemia acentuada), evidenciada na eletroforese de proteínas.
Uma vez firmado o veredito diagnóstico, o direcionamento para o tratamento deve ser imediato e monitorado pelo laboratório. A terapêutica de primeira escolha instituída pelo sistema de saúde baseia-se no uso de Antimoniato de N-metilglucamina (Antimoniato de Meglumina). Para pacientes com LV grave, gestantes ou indivíduos com comorbidades, a Anfotericina B Lipossomal é o medicamento de eleição devido à sua menor toxicidade. O papel do analista clínico permanece indispensável durante todo o curso do tratamento; devido ao potencial cardiotóxico, nefrotóxico e hepatotóxico desses fármacos, o profissional monitora rigorosamente as funções renal (creatinina e ureia) e hepática (TGO e TGP), além de amilase e lipase (para triagem de pancreatite). Dessa forma, a precisão analítica desde a microscopia até a bioquímica metabólica sustenta a cura do paciente e o controle dessa severa zoonose nacional.
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