Eletroforese de Proteínas Séricas e Imunofixação

 Eletroforese de Proteínas
Séricas e Imunofixação


A eletroforese de proteínas séricas é um método laboratorial que separa as proteínas do soro em diferentes frações com base em sua carga elétrica e tamanho molecular, permitindo a identificação de alterações qualitativas e quantitativas nas proteínas séricas. A eletroforese convencional separa as proteínas em cinco frações principais: albumina, α1-globulina, α2-globulina, β-globulina e γ-globulina. A imunofixação, por sua vez, é uma técnica mais específica que utiliza anticorpos para identificar e quantificar imunoglobulinas monoclonais (pico monoclonal), confirmando a presença de uma paraproteína (proteína M) no soro .

A eletroforese de proteínas séricas e a imunofixação são exames fundamentais no diagnóstico do mieloma múltiplo, um câncer hematológico caracterizado pela proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea, que produzem uma imunoglobulina monoclonal (proteína M) em grande quantidade. O mieloma múltiplo causa lesões ósseas líticas ("buracos") e fraturas patológicas, pois as células tumorais estimulam a reabsorção óssea excessiva pelos osteoclastos e inibem a formação óssea pelos osteoblastos, resultando em perda de massa óssea, dor óssea, hipercalcemia e insuficiência renal. O diagnóstico do mieloma múltiplo requer a presença de proteína M no soro ou na urina (proteína de Bence Jones), plasmocitose na medula óssea e lesões ósseas líticas ou osteoporose .

Além do mieloma múltiplo, a eletroforese de proteínas séricas pode detectar outras gamopatias monoclonais, como a gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI), a macroglobulinemia de Waldenström e a amiloidose AL, que também podem causar manifestações esqueléticas, embora com menor frequência. Na GMSI, a presença de uma paraproteína em pacientes sem sinais de mieloma ou outras doenças associadas é um achado comum em idosos, mas requer monitoramento, pois uma pequena porcentagem de pacientes com GMSI pode progredir para mieloma múltiplo ou outras doenças linfoproliferativas ao longo do tempo.

A interpretação da eletroforese de proteínas séricas deve considerar o padrão proteico total e a presença de pico monoclonal. Um pico monoclonal (banda estreita e bem definida na região das γ-globulinas ou das β-globulinas) é sugestivo da presença de uma paraproteína, e a imunofixação é necessária para determinar o tipo de imunoglobulina envolvida (IgG, IgA, IgM, IgD, IgE) e o tipo de cadeia leve (κ ou λ). A quantificação da proteína M (em g/dL) é importante para o estadiamento e monitoramento do mieloma múltiplo, e a redução dos níveis da proteína M é um indicador de resposta ao tratamento.

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