Eletroforese e Imunofixação de Proteínas (Sanguínea e Urinária)

  Eletroforese e Imunofixação de Proteínas
(Sanguínea e Urinária)


A eletroforese de proteínas séricas e urinárias, complementada pela imunofixação, constitui o conjunto de exames laboratoriais de referência para a detecção, caracterização e monitoramento das gamopatias monoclonais, um grupo de doenças caracterizadas pela proliferação clonal de plasmócitos ou linfócitos B que secretam uma imunoglobulina monoclonal ou seus fragmentos, conhecida como proteína M ou paraproteína. O princípio técnico da eletroforese baseia-se na migração diferencial das proteínas do soro ou da urina em um gel ou suporte de acetato de celulose sob a influência de um campo elétrico, que as separa em frações distintas: albumina, alfa-1, alfa-2, beta e gama-globulinas. Em um indivíduo normal, a região gama do proteinograma exibe um perfil policlonal, uma vez que é composta por milhões de imunoglobulinas diferentes, produzidas por inúmeros clones de plasmócitos. O surgimento de um clone neoplásico dominante rompe este equilíbrio, resultando na produção massiva de uma imunoglobulina idêntica que aparece no traçado eletroforético como um pico agudo e estreito, o pico monoclonal ou gradiente M, tipicamente localizado na região gama ou, menos frequentemente, nas regiões beta ou alfa-2.

A principal aplicação clínica da eletroforese de proteínas é a triagem e o diagnóstico das gamopatias monoclonais, e a imunofixação é o método confirmatório que identifica o tipo de cadeia pesada e leve da imunoglobulina monoclonal. A imunofixação é realizada aplicando-se o soro do paciente em múltiplas canaletas do gel, cada uma incubada com um antissoro específico contra as cadeias pesadas IgG, IgA, IgM, e as cadeias leves kappa e lambda. A revelação da banda monoclonal com um antissoro específico define a identidade da proteína M. Este nível de caracterização é essencial para o diagnóstico diferencial. Um pico de IgG monoclonal é o mais comum e está associado ao mieloma múltiplo IgG. Um pico de IgM monoclonal define a macroglobulinemia de Waldenström. Gamopatias que produzem apenas cadeias leves livres, sem cadeia pesada, são frequentemente detectadas apenas na urina, onde a proteína de Bence Jones é pesquisada pela imunofixação urinária, uma vez que as cadeias leves, de baixo peso molecular, são filtradas pelos rins e podem não ser visíveis no soro.

A interpretação da eletroforese e imunofixação deve ser integrada à clínica e a outros parâmetros laboratoriais. A Gamopatia Monoclonal de Significado Indeterminado, condição pré-maligna mais comum, é definida pela presença de um pico monoclonal pequeno, inferior a 3 g/dL, com menos de 10% de plasmócitos na medula e ausência de critérios de dano orgânico. O seguimento seriado anual da eletroforese é a conduta recomendada, pois uma fração destes pacientes progredirá para mieloma múltiplo ou linfoma. A resposta ao tratamento do mieloma é monitorada pela quantificação do pico monoclonal, sendo a remissão completa definida pela negativação da imunofixação. Em suma, a eletroforese e imunofixação de proteínas são os exames que transformam a proliferação clonal de plasmócitos em uma curva e uma banda no gel, fornecendo o diagnóstico, a classificação e o monitoramento da doença com uma precisão inigualável.

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