Eosinófilos no Escarro ou Nasal

 Eosinófilos no Escarro ou Nasal



A quantificação de eosinófilos em secreções respiratórias, seja no escarro induzido ou no lavado nasal, constitui um biomarcador celular direto e não invasivo para a identificação e o monitoramento da inflamação alérgica das vias aéreas, representando a tradução laboratorial do fenótipo inflamatório tipo 2 que caracteriza a asma eosinofílica e a rinite alérgica. Os eosinófilos são leucócitos polimorfonucleares que, embora presentes fisiologicamente em pequenas quantidades no sangue periférico, são recrutados seletivamente para a mucosa respiratória sob o comando de citocinas como a interleucina-5 (IL-5), a IL-4 e a IL-13, produzidas por linfócitos Th2 e células linfoides inatas do tipo 2. Uma vez na submucosa e no epitélio brônquico, estas células sofrem degranulação, liberando proteínas catiônicas tóxicas, como a proteína catiônica eosinofílica (ECP) e a proteína básica principal (MBP), que induzem dano epitelial, hiper-reatividade brônquica e remodelamento das vias aéreas, mecanismos fisiopatológicos centrais na asma crônica. A detecção direta destas células nas secreções oferece, portanto, uma evidência objetiva e quantificável da atividade inflamatória local, superando as limitações da sintomatologia clínica subjetiva.

A principal aplicação clínica da contagem de eosinófilos no escarro reside na fenotipagem da asma e na orientação terapêutica personalizada. Um valor elevado de eosinófilos no escarro, tipicamente definido como uma contagem igual ou superior a 3% do total de células inflamatórias, classifica o paciente no fenótipo de asma eosinofílica. Esta distinção não é meramente acadêmica, mas tem profundas implicações terapêuticas. Pacientes com asma eosinofílica demonstram uma resposta clínica excelente aos corticosteroides inalatórios, que atuam suprimindo a sobrevida e a ativação dos eosinófilos. Por outro lado, a ausência de eosinofilia no escarro em um paciente sintomático define um fenótipo não eosinofílico, que é tipicamente resistente aos corticosteroides e pode demandar terapias alternativas. A análise seriada do escarro permite ajustar as doses de corticoide inalatório com base na inflamação real, uma estratégia que reduz exacerbações quando comparada ao manejo baseado apenas em sintomas.

A coleta da amostra para análise de eosinófilos no escarro é realizada idealmente por indução com solução salina hipertônica nebulizada, um procedimento seguro que mobiliza as secreções das vias aéreas inferiores. O material obtido é processado para separar os plugs celulares da saliva, e a citologia é realizada em lâminas coradas, onde os eosinófilos são identificados por seus grânulos citoplasmáticos avermelhados característicos. Na rinite alérgica, o lavado nasal ou o esfregaço da mucosa nasal oferece uma alternativa ainda menos invasiva, onde a eosinofilia superior a 10% corrobora a etiologia alérgica e a diferencia de rinopatias não alérgicas. Em ambas as situações, a identificação do eosinófilo na mucosa é a evidência que conecta a sensibilização alérgica sistêmica à doença localizada, e seu monitoramento é hoje um componente central da medicina respiratória de precisão, permitindo que o clínico trate não apenas os sintomas, mas a biologia inflamatória que os causa.

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