Fator Reumatóide
(FR)
O fator reumatóide (FR) é um autoanticorpo direcionado contra a porção Fc da imunoglobulina G (IgG) humana, que é detectado em aproximadamente 70-80% dos pacientes com artrite reumatóide (AR) estabelecida. O FR é um dos marcadores mais antigos e amplamente utilizados no diagnóstico das doenças reumatológicas, especialmente para a artrite reumatóide, uma condição inflamatória crônica que causa sinovite, erosão óssea e destruição articular progressiva. O FR pode ser detectado por vários métodos, incluindo aglutinação em látex e nefelometria, e níveis acima de 20 UI/mL são considerados positivos .
A presença do FR é um dos critérios classificatórios da artrite reumatóide (critérios ACR/EULAR 2010), e sua positividade está associada a uma forma mais grave da doença, com maior risco de erosão articular, deformidades e manifestações extra-articulares (como nódulos reumatóides, vasculite e síndrome de Sjögren). No entanto, o FR não é específico para a artrite reumatóide, podendo ser positivo em outras doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren e esclerose sistêmica), em doenças infecciosas (como endocardite infecciosa, tuberculose e hepatite C), e mesmo em indivíduos saudáveis, especialmente idosos, em frequência de até 5-10% da população.
Apesar de sua sensibilidade limitada (cerca de 70% na AR), o FR mantém utilidade na prática clínica, especialmente quando combinado com outros marcadores, como o anti-CCP. A presença de FR positivo em um paciente com artrite inflamatória simétrica e outros achados clínicos sugestivos fortalece o diagnóstico de artrite reumatóide e orienta a conduta terapêutica precoce, que é fundamental para prevenir o dano articular e ósseo irreversível. O monitoramento dos níveis de FR ao longo do tempo tem utilidade limitada, pois os títulos não se correlacionam bem com a atividade da doença, e a redução dos níveis após o tratamento não é um indicador confiável de remissão.
No contexto do sistema esquelético, a artrite reumatóide é uma causa importante de erosão óssea periarticular e osteoporose sistêmica, devido à inflamação crônica e ao uso de corticosteroides. A avaliação laboratorial da AR deve incluir não apenas o FR e o anti-CCP, mas também marcadores de inflamação (PCR e VHS) e marcadores de turnover ósseo para monitorar a perda óssea e o risco de fraturas. A detecção precoce e o tratamento agressivo da AR são essenciais para prevenir a destruição articular e a osteoporose associada.
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