Glicemia de Jejum e Hemoglobina Glicada
(HbA1c)
A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada (HbA1c) são os exames laboratoriais de triagem e monitoramento do diabetes mellitus, a causa mais comum de polineuropatia periférica no mundo, sendo indispensáveis na investigação de qualquer paciente com quadro de parestesias, dormências, dor neuropática ou fraqueza distal simétrica em membros inferiores. A neuropatia diabética é uma complicação crônica do diabetes tipo 1 e tipo 2, cuja prevalência aumenta com o tempo de doença e com o mau controle glicêmico. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo a glicação não enzimática de proteínas axonais e da mielina, a ativação da via do poliol, o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial e a lesão microvascular dos vasa nervorum, que resulta em isquemia e hipóxia do nervo periférico. A forma mais comum é a polineuropatia simétrica distal, com distribuição em "luva e bota", predominantemente sensitiva, com sintomas de queimação, choques e alodinia.
A glicemia de jejum é o teste de triagem primário, e valores iguais ou superiores a 126 mg/dL, confirmados em duas ocasiões, estabelecem o diagnóstico de diabetes. Valores entre 100 e 125 mg/dL definem a glicemia de jejum alterada, o pré-diabetes, que também está associado a neuropatia, frequentemente com predomínio de fibras finas e dor neuropática. A HbA1c, que reflete a glicemia média dos últimos dois a três meses, é o padrão-ouro para o monitoramento, e valores iguais ou superiores a 6,5% são critério diagnóstico. A HbA1c é particularmente útil para avaliar o controle glicêmico crônico, e níveis persistentemente elevados estão diretamente associados ao risco de desenvolvimento e progressão da neuropatia.
O diagnóstico da neuropatia diabética é clínico, mas a demonstração laboratorial da hiperglicemia é o que fecha a etiologia. A neuropatia pode ser a manifestação inicial de um diabetes tipo 2 previamente não diagnosticado, e a sua investigação é uma oportunidade de diagnóstico precoce da doença. O controle glicêmico intensivo, refletido em HbA1c próxima ao normal, é a única intervenção que comprovadamente reduz a incidência de neuropatia no diabetes tipo 1. Em suma, a glicemia de jejum e a HbA1c são os exames que identificam a causa metabólica mais comum e tratável de neuropatia periférica, e o seu controle é a principal estratégia preventiva e terapêutica.
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