Hormônios Sexuais e Esteroides
A avaliação laboratorial dos hormônios sexuais e esteroides abrange a investigação integrada do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável pela produção dos andrógenos e estrógenos que controlam a diferenciação sexual, a gametogênese e a reprodução humana. O eixo gonadal é comandado pelo hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), secretado de forma pulsátil pelos neurônios hipotalâmicos, que estimula os gonadotrofos hipofisários a produzir as gonadotrofinas LH e FSH. O LH atua nas células da teca ovariana e nas células de Leydig testiculares, estimulando a produção de andrógenos, primariamente a testosterona. O FSH atua nas células da granulosa ovariana e nas células de Sertoli testiculares, regulando a foliculogênese, a ovulação e a espermatogênese. Os andrógenos, por sua vez, são convertidos em estrógenos nos ovários e nos tecidos periféricos pela enzima aromatase, e exercem feedback negativo sobre a secreção de gonadotrofinas.
No sexo masculino, a testosterona é o principal hormônio gonadal, e sua dosagem, tanto total quanto livre, é o exame central na investigação do hipogonadismo. O hipogonadismo masculino manifesta-se por disfunção erétil, perda da libido, infertilidade e alterações da composição corporal, e a diferenciação entre hipogonadismo primário, com testosterona baixa e gonadotrofinas elevadas, e hipogonadismo secundário, com testosterona e gonadotrofinas baixas, é o objetivo da avaliação laboratorial combinada. No sexo feminino, a avaliação hormonal é mais complexa e dinâmica, variando com a fase do ciclo menstrual e o status menopausal. O estradiol é o principal estrogênio, produzido pelos folículos ovarianos, e sua dosagem é essencial para avaliar a função ovariana, o desenvolvimento puberal e a resposta à indução da ovulação. A testosterona, embora em concentrações muito inferiores às masculinas, é um marcador crucial na investigação do hiperandrogenismo feminino.
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade fértil e o principal diagnóstico diferencial de hiperandrogenismo. A avaliação laboratorial da SOP inclui a dosagem de testosterona total e livre, frequentemente elevadas, e de LH, que se apresenta com níveis basais aumentados e uma relação LH/FSH alterada. A exclusão de outras causas de hiperandrogenismo, como a hiperplasia adrenal congênita de início tardio, que eleva a 17-hidroxiprogesterona, é mandatória. Em suma, a avaliação dos hormônios sexuais é um exercício de integração entre a clínica, a fase do ciclo e os níveis de gonadotrofinas e esteroides gonadais, permitindo ao clínico localizar o defeito no eixo e diagnosticar desde estados de hipogonadismo até as causas de infertilidade e irregularidade menstrual.
Comentários
Postar um comentário