LDL-C
(Colesterol de Baixa Densidade)
O LDL-C, colesterol contido nas lipoproteínas de baixa densidade, é o principal alvo terapêutico na prevenção primária e secundária da doença cardiovascular aterosclerótica, sendo o parâmetro lipídico mais fortemente associado ao risco de eventos coronarianos e o biomarcador cuja redução farmacológica tem o maior impacto comprovado na diminuição da morbimortalidade cardiovascular. As partículas de LDL são formadas a partir do metabolismo das lipoproteínas de muito baixa densidade no plasma. As VLDL, secretadas pelo fígado, são progressivamente delipidadas pela lipase lipoproteica nos capilares dos tecidos periféricos, transformando-se em lipoproteínas de densidade intermediária e, finalmente, em LDL, que são partículas ricas em ésteres de colesterol e que contêm uma única molécula de apolipoproteína B-100 como proteína estrutural. A LDL é a principal transportadora de colesterol para os tecidos periféricos, onde é captada pelos receptores de LDL. Em condições de excesso de LDL-C, estas partículas atravessam o endotélio, ficam retidas na matriz subendotelial e são oxidadas, desencadeando a cascata inflamatória que resulta na formação da placa aterosclerótica.
A principal aplicação clínica da dosagem do LDL-C é a definição da meta terapêutica primária no manejo das dislipidemias. As diretrizes nacionais e internacionais estratificam o risco cardiovascular do paciente e estabelecem metas de LDL-C progressivamente mais agressivas para as categorias de maior risco. Para pacientes de muito alto risco cardiovascular, como aqueles com doença cardiovascular estabelecida ou diabetes com lesão de órgão-alvo, a meta de LDL-C é inferior a 50 mg/dL. O cálculo do LDL-C é feito classicamente pela fórmula de Friedewald, que assume que o colesterol total é a soma do HDL-C, LDL-C e VLDL-C, sendo este último estimado como triglicerídeos divididos por 5. Esta fórmula é válida apenas quando os triglicerídeos são inferiores a 400 mg/dL e o paciente está em jejum. Acima deste valor, a estimativa torna-se imprecisa, e a dosagem direta do LDL-C, por ensaio homogêneo, deve ser solicitada.
As estatinas, inibidores da HMG-CoA redutase, são a classe de fármacos de primeira linha para a redução do LDL-C, com eficácia e segurança comprovadas. A redução percentual do LDL-C é o indicador de resposta terapêutica, e a cada redução de 40 mg/dL no LDL-C, estima-se uma diminuição de cerca de 20% no risco de eventos cardiovasculares maiores. Novas classes de fármacos hipolipemiantes, como os inibidores da PCSK9, permitem reduções ainda mais profundas do LDL-C, atingindo níveis antes inalcançáveis. O LDL-C é, portanto, muito mais do que um número; é o biomarcador central do risco aterosclerótico, cuja mensuração e redução compõem a estratégia mais efetiva de prevenção cardiovascular, sendo o parâmetro que guia a intensidade da terapia hipolipemiante e monitora a adesão e a resposta ao tratamento.
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