Prolactina

 Prolactina


A prolactina é um hormônio polipeptídico secretado pelos lactotrofos da adeno-hipófise, e sua dosagem sérica é o exame de triagem para a investigação da hiperprolactinemia, uma causa comum e tratável de infertilidade, disfunção gonadal e galactorreia. A prolactina é estruturalmente relacionada ao hormônio do crescimento e ao lactogênio placentário, e sua função primordial é a lactogênese, ou seja, a iniciação e a manutenção da produção de leite pelas glândulas mamárias no período pós-parto. A regulação da secreção de prolactina é única entre os hormônios hipofisários, pois o tônus dominante é inibitório. A dopamina, secretada pelos neurônios do núcleo arqueado hipotalâmico, liga-se a receptores D2 nos lactotrofos e suprime tonicamente a liberação de prolactina. Qualquer condição que interrompa o fluxo de dopamina para a hipófise, como a compressão da haste hipofisária por um tumor, ou que bloqueie os receptores D2, como fármacos antipsicóticos, resultará em hiperprolactinemia.

A principal indicação clínica para a dosagem de prolactina é a investigação de galactorreia, irregularidade menstrual, amenorreia, infertilidade e disfunção erétil. A hiperprolactinemia suprime o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal ao inibir a secreção pulsátil de GnRH, resultando em hipogonadismo hipogonadotrófico. Nas mulheres, a manifestação mais comum é a amenorreia com galactorreia; nos homens, a perda da libido e a disfunção erétil. O diagnóstico diferencial da hiperprolactinemia é amplo e inclui causas fisiológicas, como gestação e amamentação, estresse e estimulação mamilar; causas farmacológicas, sendo os antipsicóticos e a metoclopramida as mais comuns; e causas patológicas, sendo o prolactinoma, um adenoma hipofisário secretor de prolactina, a principal. Níveis de prolactina acima de 200 ng/mL são altamente sugestivos de prolactinoma.

A interpretação da prolactina deve considerar a possibilidade de macroprolactinemia, uma condição benigna onde a prolactina circula complexada a imunoglobulinas, formando macroprolactina de baixa atividade biológica. A macroprolactinemia cursa com hiperprolactinemia assintomática, e o seu reconhecimento evita investigações desnecessárias com ressonância magnética. A dosagem após precipitação com polietilenoglicol permite identificar esta condição. Em suma, a prolactina é o marcador da integridade do tônus dopaminérgico hipotalâmico, e sua elevação, quando confirmada, desencadeia uma investigação que pode revelar desde um efeito adverso medicamentoso até um tumor hipofisário.

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