Proteína C-Reativa de Alta Sensibilidade (PCR-as)

 Proteína C-Reativa de Alta Sensibilidade
(PCR-as)


A Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (PCR-as) é o biomarcador inflamatório mais validado e clinicamente relevante para a estratificação do risco cardiovascular em indivíduos assintomáticos, fundamentado no paradigma de que a aterosclerose é, em sua essência, uma doença inflamatória crônica da parede arterial. A PCR é uma proteína de fase aguda sintetizada pelo fígado em resposta à interleucina-6, e sua função fisiopatológica na aterosclerose transcende a de um mero marcador de inflamação, atuando como um mediador ativo da disfunção endotelial, da oxidação da LDL, do recrutamento de monócitos para a íntima e da ativação do complemento. A versão "de alta sensibilidade" do ensaio é capaz de detectar e quantificar com precisão os níveis de PCR dentro de uma faixa muito inferior à da PCR convencional, distinguindo variações sutis que estão dentro do que antes era considerado normal. Esta capacidade de detectar a inflamação de baixo grau, crônica e sistêmica, é o que confere à PCR-as o seu valor preditivo para eventos cardiovasculares.

A principal aplicação clínica da PCR-as é a reclassificação do risco cardiovascular em pacientes de risco intermediário, nos quais a decisão de iniciar ou intensificar a terapia preventiva é incerta. Os valores de PCR-as são categorizados em três faixas de risco: baixo risco, inferior a 1 mg/L; risco moderado, entre 1 e 3 mg/L; e alto risco, superior a 3 mg/L. Indivíduos com PCR-as persistentemente acima de 2 mg/L têm um risco de eventos cardiovasculares futuros aproximadamente duas vezes maior do que aqueles com níveis abaixo de 1 mg/L, independentemente dos níveis de LDL-C e de outros fatores de risco tradicionais. A PCR-as é independente do perfil lipídico e, quando adicionada aos escores de risco tradicionais, como o de Framingham, melhora a acurácia preditiva.

A interpretação da PCR-as deve ser criteriosa, pois, por ser uma proteína de fase aguda, ela se eleva transitoriamente em qualquer processo inflamatório ou infeccioso agudo, como uma gripe ou uma crise de artrite. Por esta razão, a dosagem deve ser realizada em um indivíduo clinicamente estável, livre de infecções recentes, e dois resultados com intervalo de pelo menos duas semanas são recomendados para confirmar o nível basal. As estatinas, além de reduzirem o LDL-C, exercem um potente efeito anti-inflamatório, reduzindo os níveis de PCR-as, e esta redução é um preditor independente de benefício clínico. Em suma, a PCR-as é a janela laboratorial para a inflamação vascular subclínica, identificando um grupo de pacientes que se beneficiam de uma abordagem preventiva mais intensiva, e ilustrando o conceito de que o risco cardiovascular é uma função tanto da carga lipídica quanto do estado inflamatório do endotélio.

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