Testosterona
(Total e Livre)
A testosterona é o principal andrógeno circulante, e sua dosagem, tanto na fração total quanto na fração livre, é o exame central para a avaliação da função gonadal masculina e para a investigação de hiperandrogenismo na mulher. A testosterona é um hormônio esteroide de 19 carbonos, sintetizado primariamente nas células de Leydig dos testículos sob o estímulo do LH hipofisário e, em menor quantidade, nas células da teca ovariana e no córtex adrenal. Nos homens, a testosterona é responsável pela virilização, pela espermatogênese, pela manutenção da libido, da massa muscular e da densidade óssea. Aproximadamente 60% da testosterona circula fortemente ligada à globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), 38% ligada à albumina, e apenas 1 a 2% constitui a fração livre, que é a biologicamente ativa. A testosterona ligada à albumina, por ser uma ligação de baixa afinidade, é também considerada biodisponível. A dosagem da testosterona total, por imunoensaio, e da testosterona livre, por diálise de equilíbrio ou cálculo a partir da SHBG, permite uma avaliação completa do status androgênico.
A principal aplicação da testosterona no homem é o diagnóstico de hipogonadismo. A apresentação clínica inclui disfunção erétil, perda da libido, fadiga, redução da massa muscular e osteoporose. A dosagem deve ser realizada pela manhã, devido ao ritmo circadiano, e confirmada em pelo menos duas ocasiões. Níveis de testosterona total cronicamente abaixo de 300 ng/dL, associados a sintomas, definem o hipogonadismo. A diferenciação entre hipogonadismo primário, com testosterona baixa e LH/FSH elevados, e secundário, com testosterona e gonadotrofinas baixas, é feita pela dosagem conjunta das gonadotrofinas. A dosagem da testosterona livre é particularmente útil em condições que alteram a SHBG, como a obesidade, o diabetes tipo 2 e o hipotireoidismo, onde a testosterona total pode ser falsamente baixa devido à redução da SHBG, mas a testosterona livre é normal.
Na mulher, a testosterona é um marcador fundamental na investigação do hiperandrogenismo, que se manifesta por hirsutismo, acne, alopecia e irregularidade menstrual. A causa mais comum é a Síndrome dos Ovários Policísticos. A dosagem de testosterona total e livre, juntamente com o DHEA-S, permite quantificar a produção androgênica ovariana e adrenal. Níveis muito elevados de testosterona, acima de 150-200 ng/dL, devem levantar a suspeita de tumores ovarianos ou adrenais secretores de andrógenos. Em suma, a testosterona é o hormônio que define o status androgênico, e sua correta interpretação, considerando a fração livre e o contexto clínico, é essencial para o diagnóstico do hipogonadismo masculino e do hiperandrogenismo feminino.
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