TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide)

 TSH
(Hormônio Estimulante da Tireoide)


O TSH, ou tireotrofina, é o hormônio glicoproteico secretado pelos tireotrofos da adeno-hipófise, e sua dosagem sérica é universalmente reconhecida como o teste de triagem de primeira linha e o marcador mais sensível para a avaliação da função tireoidiana, constituindo a pedra angular sobre a qual se estrutura todo o diagnóstico das disfunções da tireoide. O TSH é composto por duas subunidades, alfa e beta, sendo a subunidade beta a que lhe confere especificidade funcional e imunológica. Sua secreção é finamente regulada pelo TRH hipotalâmico, que a estimula, e pelos hormônios tireoidianos circulantes, que exercem um feedback negativo potente e direto sobre os tireotrofos. A relação entre a concentração de T4 livre e a secreção de TSH é log-linear, o que significa que pequenas variações nos níveis de hormônios tireoidianos resultam em alterações exponenciais e inversas na concentração de TSH. Esta amplificação biológica é o fundamento da extraordinária sensibilidade do TSH para detectar disfunções tireoidianas ainda em fases subclínicas, quando o T4 livre ainda se encontra dentro dos limites da normalidade.

A principal aplicação clínica do TSH é o diagnóstico e a classificação do hipotireoidismo e do hipertireoidismo. O algoritmo diagnóstico é notavelmente direto e fisiologicamente embasado: um TSH elevado indica hipotireoidismo primário, e a sua confirmação é feita pela dosagem do T4 livre, que estará baixo na doença clinicamente manifesta ou normal no hipotireoidismo subclínico. A causa mais comum de hipotireoidismo primário com TSH elevado é a tireoidite crônica autoimune, ou tireoidite de Hashimoto, onde a destruição imunomediada da glândula reduz a produção hormonal e remove o feedback negativo, elevando o TSH. Um TSH suprimido, abaixo do limite inferior da normalidade, indica hipertireoidismo primário, e o T4 livre e/ou T3 estarão elevados. A doença de Graves, com seus anticorpos estimuladores do receptor de TSH, é a etiologia mais comum. A supressão do TSH com hormônios tireoidianos normais define o hipertireoidismo subclínico, condição associada a risco aumentado de fibrilação atrial e osteoporose.

A interpretação do TSH exige a consideração de situações em que a relação TSH-hormônios tireoidianos está dissociada. As causas centrais de disfunção tireoidiana, de origem hipofisária ou hipotalâmica, são raras, mas devem ser reconhecidas. Um TSH baixo ou inapropriadamente normal na presença de T4 livre baixo sugere hipotireoidismo secundário, e a investigação deve prosseguir com ressonância magnética da sela túrcica. O uso de medicamentos como a amiodarona, glicocorticoides e dopamina pode alterar a secreção de TSH. A síndrome do doente eutireoideo, presente em pacientes gravemente enfermos, cursa com alterações transitórias do TSH que não configuram doença tireoidiana primária. Em suma, o TSH é o guardião do diagnóstico tireoidiano, e sua correta interpretação, integrada aos níveis de hormônios periféricos, permite ao clínico navegar com segurança desde a triagem populacional até o diagnóstico etiológico fino das disfunções da tireoide.

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