Vitamina B1 (Tiamina)

 Vitamina B1
(Tiamina)


A dosagem da vitamina B1, ou tiamina, é o exame laboratorial indicado na suspeita de deficiência deste cofator essencial do metabolismo energético neuronal, cuja carência grave resulta em duas síndromes neurológicas de alta morbidade: a Encefalopatia de Wernicke e a Síndrome de Korsakoff, além do Beribéri, que afeta os sistemas cardiovascular e nervoso periférico. A tiamina é uma vitamina hidrossolúvel que, na sua forma ativa, o pirofosfato de tiamina, atua como cofator enzimático essencial para três complexos enzimáticos centrais do metabolismo dos carboidratos: a piruvato desidrogenase, a alfa-cetoglutarato desidrogenase e a transcetolase da via das pentoses. Estes complexos são críticos para a produção de ATP, a síntese de neurotransmissores como a acetilcolina e a manutenção da bainha de mielina. Como os estoques corporais de tiamina são limitados e duram apenas poucas semanas, a deficiência instala-se rapidamente em condições de baixa ingestão ou má absorção, sendo classicamente associada ao alcoolismo crônico, à desnutrição, à cirurgia bariátrica e à hiperêmese gravídica.

A Encefalopatia de Wernicke é a manifestação mais aguda e grave, caracterizada pela tríade clássica de oftalmoplegia, ataxia e confusão mental, e representa uma emergência médica que requer a administração imediata de altas doses de tiamina intravenosa. A Síndrome de Korsakoff é a sequela crônica, com amnésia retrógrada e anterógrada profundas e confabulação. O Beribéri úmido afeta o sistema cardiovascular, e o Beribéri seco causa polineuropatia periférica sensitivo-motora. O diagnóstico laboratorial pode ser feito pela dosagem direta da tiamina sérica ou pelo método funcional da dosagem da atividade da transcetolase eritrocitária e do efeito da adição de pirofosfato de tiamina in vitro, que é o teste mais sensível e específico.

A interpretação dos níveis de tiamina deve ser rápida, e o tratamento não deve ser adiado pela espera do resultado laboratorial em pacientes com alta suspeita clínica, sendo a administração empírica de tiamina a conduta recomendada. A resposta clínica dramática à reposição, com melhora da oftalmoplegia em horas, é uma confirmação diagnóstica indireta. Em suma, a tiamina é o marcador de uma carência nutricional aguda que ameaça o sistema nervoso central e periférico, e o seu rápido reconhecimento e tratamento previnem sequelas neurológicas permanentes e potencialmente devastadoras.

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