A Arte da Espacialidade
e o Nascimento da Imagem
O sinal captado pelas bobinas, no entanto, é um emaranhado de informações de todo o volume irradiado. Para transformar esse coro confuso em uma imagem nítida, é necessário um maestro: o sistema de gradientes. Esses são conjuntos de bobinas que criam variações lineares e previsíveis no campo magnético principal, tornando-o ligeiramente mais forte em um ponto e mais fraco em outro. Ao fazer isso, os prótons em diferentes localizações espaciais passam a precessionar em frequências ou fases ligeiramente diferentes.
É o que chamamos de codificação espacial. Uma camada específica do corpo é selecionada pela aplicação de um gradiente durante o pulso de RF, excitando apenas os prótons naquela fatia. Em seguida, gradientes de fase e de frequência são aplicados para mapear as linhas e colunas dentro dessa fatia. O sinal resultante é uma complexa mistura de frequências que representa um "espaço K". Este conceito, o espaço K, não é uma imagem direta, mas sim o mapa de dados brutos da imagem. Através de uma operação matemática chamada Transformada de Fourier, o computador decodifica esse espaço K, convertendo informações de frequência e fase em intensidade de sinal para cada ponto específico, ou pixel. O resultado final é a imagem anatômica em escala de cinza que conhecemos, onde o brilho de cada pixel é diretamente proporcional à intensidade do sinal de RM proveniente daquele minúsculo volume de tecido (voxel).
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