Cultura
Para Fungos
A cultura para fungos é o exame microbiológico padrão-ouro para o isolamento, a identificação da espécie e a determinação do perfil de sensibilidade antifúngica dos agentes causadores das infecções cutâneas, sendo o complemento indispensável ao exame micológico direto. Enquanto o exame direto confirma a presença do fungo, a cultura revela a sua identidade taxonômica precisa, uma informação de importância clínica crescente em uma era de resistência antifúngica e de terapias-alvo. Os fungos patogênicos cutâneos são classificados em três grandes grupos: os dermatófitos, fungos filamentosos queratinofílicos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton; as leveduras, principalmente Candida albicans e espécies não-albicans; e os fungos não dermatofíticos, como Fusarium e Aspergillus, que são patógenos emergentes em onicomicoses. A cultura permite a distinção entre estes grupos e a identificação precisa da espécie.
O material coletado da lesão cutânea, ungueal ou capilar é semeado em meios de cultura específicos. O ágar Sabouraud dextrosado, suplementado com cloranfenicol e ciclo-heximida, é o meio de escolha, pois o antibiótico inibe o crescimento bacteriano e a ciclo-heximida suprime fungos saprófitas, favorecendo o isolamento dos dermatófitos. As culturas são incubadas a 25-30°C, e o crescimento pode levar de uma a quatro semanas. A identificação do fungo é baseada na morfologia macroscópica da colônia, como cor, textura e velocidade de crescimento, e na morfologia microscópica das estruturas de frutificação, como macroconídios, microconídios e hifas. A identificação das espécies de Candida é complementada por testes bioquímicos, como o tubo germinativo e o CHROMagar.
A principal aplicação clínica da cultura é a identificação da espécie em infecções refratárias ao tratamento empírico, em onicomicoses recorrentes, e em infecções em pacientes imunossuprimidos. A realização do antifungigrama, ou teste de sensibilidade a antifúngicos, é indicada em casos de falha terapêutica ou infecções por espécies com resistência conhecida. A sensibilidade da cultura é inferior à do exame direto, e um resultado negativo não exclui a infecção fúngica, especialmente se a coleta foi inadequada ou se o paciente já está em uso de antifúngico. Em suma, a cultura para fungos é o exame que fornece o diagnóstico etiológico de certeza, permitindo a terapia antifúngica alvo-dirigida e contribuindo para a farmacoepidemiologia das micoses cutâneas.
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