Linfomas e Neoplasias Linfoproliferativas Crônicas

 Linfomas e Neoplasias
Linfoproliferativas Crônicas


As neoplasias linfoides maduras formam um espectro amplo derivado de células B, T, NK ou plasmáticas em diferentes estágios de diferenciação. O diagnóstico começa pela arquitetura: padrão folicular, difuso, sinusoidal, nodular ou paracortical, relação com vasos e microambiente e distribuição extranodal. Por isso, biópsia excisional de linfonodo é preferível quando viável; punções e fragmentos podem responder perguntas específicas, mas frequentemente limitam avaliação arquitetural. Morfologia, imuno-histoquímica, citometria, hibridização in situ, citogenética e estudos moleculares devem ser integrados segundo a OMS de quinta edição ou a International Consensus Classification.

O linfoma de Hodgkin clássico contém escassas células neoplásicas de Hodgkin/Reed–Sternberg em fundo inflamatório, geralmente positivas para CD30, com CD15 frequente, PAX5 fraco e expressão B reduzida. O contexto morfológico o diferencia de linfomas B de grandes células, linfomas T e proliferações reativas CD30-positivas. O linfoma de Hodgkin com predomínio linfocitário nodular, reorganizado nas classificações recentes dentro de neoplasias B, apresenta células LP com programa B preservado, incluindo CD20, PAX5, OCT2 e BOB1, e arquitetura nodular sustentada por células dendríticas foliculares.

Nos linfomas B não Hodgkin, entidades indolentes e agressivas exigem critérios próprios. Linfoma folicular associa-se frequentemente a rearranjo de BCL2 e demonstra centro germinativo; linfoma do manto expressa ciclina D1 e costuma portar CCND1::IGH, com SOX11 útil em variantes. Linfoma difuso de grandes células B é heterogêneo e requer exclusão de entidades definidas por genética ou contexto. Rearranjos de MYC, BCL2 e BCL6 devem ser avaliados conforme morfologia e algoritmo classificatório, sem usar indiscriminadamente o termo “duplo expressor” como equivalente de “duplo rearranjo”. Linfomas T e NK dependem de padrão anatômico, perda aberrante de antígenos, relação com vírus como EBV ou HTLV-1 e demonstração de clonabilidade contextualizada.

Na leucemia linfocítica crônica, população clonal B tipicamente coexpressa CD5 e CD23, com CD20 e imunoglobulina de superfície fracos. A distinção entre linfocitose B monoclonal, LLC e linfoma linfocítico de pequenas células considera contagem de células B clonais, adenomegalias, organomegalias e citopenias atribuíveis à doença. Alterações de TP53, del(17p), estado mutacional de IGHV e outras variáveis possuem importância prognóstica e terapêutica, mas não substituem o diagnóstico morfológico-imunofenotípico.

O mieloma múltiplo é neoplasia de plasmócitos associada a proteína monoclonal e eventos definidores de dano ou biomarcadores validados. A medula mostra plasmocitose clonal, demonstrada por restrição de cadeia leve e fenótipos como CD38 e CD138 fortes, frequentemente com CD19 ausente e CD56 aberrante. Eletroforese, imunofixação, cadeias leves livres, imagem e função orgânica distinguem gamopatia monoclonal de significado indeterminado, mieloma assintomático e mieloma ativo. Amiloidose AL e outras doenças por imunoglobulina monoclonal podem ocorrer com pequena carga clonal, tornando a lesão orgânica central.

Em todo o grupo, clonabilidade não significa automaticamente malignidade: expansões reativas podem ser oligoclonais e pequenos clones surgem com envelhecimento. O laudo deve combinar sítio, arquitetura, citologia, fenótipo, genética, carga tumoral e contexto clínico. Essa integração evita classificações baseadas em um único biomarcador e fornece uma identidade diagnóstica que sustenta estadiamento, seleção terapêutica e monitoramento da doença.

Comentários