História e Evolução da Gestão da Qualidade:
De Walter Shewhart aos Dias Atuais
A trajetória da gestão da qualidade nos serviços de saúde fundamenta-se historicamente em conceitos e modelos desenvolvidos originalmente no setor industrial. O ponto de partida do controle estatístico de qualidade é atribuído a Walter Andrew Shewhart, que, em 1931, publicou diretrizes práticas e fundamentos teóricos para monitorar processos produtivos por meio de amostragem, médias, amplitudes e acompanhamento em gráficos. Com o eclosão da Segunda Guerra Mundial, a necessidade de padronização do material bélico impulsionou a atuação de William Edwards Deming e Joseph Moses Juran, que aperfeiçoaram os sistemas de controle e a busca pela melhoria contínua. Posteriormente, a reconstrução do Japão no pós-guerra consolidou o entendimento de que o investimento em qualidade reduz custos operacionais, eleva a produtividade e otimiza a aceitação no mercado.
A transposição dessas metodologias para a medicina diagnóstica ocorreu no início da década de 1950, quando Adolph Stanley Levey e E. R. Jennings introduziram a aplicação de gráficos de controle em laboratórios clínicos para avaliar a precisão dos ensaios. A partir desse marco, R. J. Henry e M. Segalove aprimoraram a abordagem ao sugerir a utilização de pools de amostras para acompanhar a estabilidade das medições ao longo do tempo, dando origem ao célebre diagrama ou gráfico de Levey-Jennings. Na década de 1970, o avanço dos equipamentos automatizados de análise exigiu novas adaptações estatísticas. Em 1981, James O. Westgard e colaboradores propuseram um sistema multirregra para interpretar desvios analíticos e identificar falhas aleatórias e sistemáticas.
Nas décadas seguintes, o conceito de controle da fase analítica evoluiu para a Gestão da Qualidade Total, integrando de maneira sistêmica as etapas pré-analítica, analítica e pós-analítica. Mais recentemente, a incorporação do sistema Six Sigma permitiu mensurar o grau de variação e a capacidade dos processos laboratoriais por meio da quantificação de defeitos por milhão de oportunidades. Atualmente, a gestão da qualidade nos serviços de diagnóstico in vitro alia a rigorosa análise estatística histórica a inovações tecnológicas como automação, inteligência artificial e diretrizes atualizadas de governança sanitária.

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