Particularidades da Garantia
da Qualidade em Automação
A automação transformou a organização dos laboratórios clínicos ao ampliar a capacidade de processamento de amostras, reduzir atividades manuais e proporcionar maior velocidade na execução dos exames. Entretanto, a incorporação de equipamentos automatizados exige uma estrutura de garantia da qualidade capaz de acompanhar a complexidade dos sistemas, a integração das informações e os riscos relacionados ao funcionamento das plataformas tecnológicas. Piccinini, Oliveira e Moura (2025) destacam que a eficiência operacional precisa estar associada à confiabilidade dos resultados, à segurança do paciente e à capacitação contínua dos profissionais.
Os autores apresentam quatro modelos principais de automação: Stand Alone Automation, caracterizada por equipamentos automatizados isolados; Modular Automation, composta por módulos integráveis e expansíveis; Task Target Automation, direcionada à automatização de tarefas específicas, especialmente nas fases pré e pós-analítica; e Total Laboratory Automation, que integra diferentes etapas do processo, desde o recebimento das amostras até a liberação dos resultados. A escolha depende do volume de exames, da estrutura física, dos recursos disponíveis e das necessidades operacionais de cada serviço.
A integração entre equipamentos, esteiras transportadoras, sistemas de aliquotagem, leitores de códigos de barras, módulos de armazenamento, middleware e Sistema de Informação Laboratorial (SIL) representa um componente essencial da qualidade. Essa conexão permite melhorar a rastreabilidade, reduzir erros de identificação, eliminar atividades redundantes e diminuir o tempo total de atendimento. Contudo, a integração precisa ser validada, incluindo a transmissão correta dos resultados, das unidades de medida e dos registros de identificação do operador, equipamento e horário da análise. Também devem ser avaliadas situações de falha de comunicação e mecanismos de proteção contra perda ou acesso não autorizado aos dados.
Outro ponto central é a manutenção da qualidade analítica em ambientes de alta produtividade. A integração entre o controle interno da qualidade e o SIL pode permitir a avaliação automatizada das regras de controle, impedindo o processamento de novas amostras quando os resultados de controle não forem aceitáveis. O capítulo também apresenta a média móvel, ou patient-based real-time quality control (PBRTQC), como ferramenta de monitoramento contínuo baseada em resultados sucessivos de pacientes, capaz de auxiliar na identificação de desvios analíticos entre as rodadas convencionais de controle.
A qualidade da água de grau reagente também merece atenção especial, pois impurezas iônicas, microbiológicas e orgânicas podem interferir nos resultados. Por isso, o laboratório deve validar o sistema de purificação e monitorar parâmetros como resistividade ou condutividade, contagem microbiológica e carbono orgânico total (TOC), além de manter a manutenção preventiva e os registros correspondentes.
Os autores ressaltam que a tecnologia não elimina a necessidade de profissionais capacitados. Treinamento contínuo, documentação, monitoramento de indicadores e análise de riscos são indispensáveis para que os sistemas automatizados contribuam efetivamente para a qualidade. A automação representa, portanto, uma ferramenta de aprimoramento, cuja confiabilidade depende da integração entre tecnologia, processos e competência humana.

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